Bairro de Alfama e Rio Tejo em Lisboa
Mostrar mensagens com a etiqueta Poesia popular. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Poesia popular. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Eu bem vi nascer o Sol

Nascer do Sol no Alentejo. - Serpa. Fotografia de Luis MP Gonçalves


Eu bem vi nascer o Sol
duma maçã vermelhinha
nunca pensei que nascesse
de coisa tão pequenina.

Eu bem vi nascer o Sol
num canivete de prata
nunca pensei que nascesse
de coisinha tão barata.

Eu bem vi nascer o Sol
nas areias do Mondego
enganei-me: foi a Lua
que o Sol não nasce tão cedo.

Alice Vieira



quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Se tu visses o que eu vi...



Se tu visses o que eu vi
havias de te admirar:
uma cadela com pintos,
uma galinha a ladrar.

Se tu visses o que eu vi
lá no alto do lameiro,
um macaco a bater sola
a fazer de sapateiro.

Se tu visses o que eu vi
na serra de Guimarães,
uma minhoca com pintos
e uma bezerra com cães.

Se tu visses o que eu vi
na feira de Vimioso,
sete frades em camisa
a cavalo num raposo.

Se tu visses o que eu vi
no buraco da parede,
a cobra a dançar o vira
e o lagarto a cana verde.



segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Barqueiro, deita o barco ao rio...




Barqueiro, deita o barco ao rio,
Barqueiro, deita o barco ao mar,
mas olha que o barco vira,
lá no meio do Mira
e eu não sei nadar.


(Lido no blogue O mar no cancioneiro popular)



segunda-feira, 6 de maio de 2019

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

"Está a chover e a nevar..."



Já falta pouco tempo para o Natal, que é no dia 25 de dezembro.


Está a chover e a nevar,
E a raposa no lagar
A fazer as camisinhas
P´ra amanhã se ir casar.

Está a chover e a nevar,
E a raposa no quintal
A apanhar laranjinhas
Para o dia de Natal.



quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Canção da Amélia




CANÇÃO DA AMÉLIA

Eu vi a Amélia
num corredor,
tão pequenina,
a tocar tambor.

Eu vi a Amélia
dentro dum sapato,
tão pequenina,
a caçar um rato.

Eu vi a Amélia
dentro dum poço,
tão pequenina,
a comer tremoço.

Eu vi a Amélia
no campo só,
tão pequenina,
metia dó.

Eu vi a Amélia
na chaminé,
tão pequenina,
a tomar café.

Eu vi a Amélia
num buraquinho,
tão pequenina,
a fazer caldinho.

Eu vi a Amélia
nos Carvalhais,
tão pequenina,
a vender jornais.

Eu vi a Amélia
na beira do rio,
tão pequenina,
cheia de frio.







terça-feira, 28 de março de 2017

Poesia e contrações, outra vez

A cidade de Roma


Vejam quantas contrações da preposiçao em com os artigos definidos o e a (no na). E há duas contrações  da preposição de, que já conhecem. Onde é que estão?


Na cidade de Roma há uma rua,
na rua há uma casa,
na casa há uma porta,
na porta há uma escada,
na escada há uma sala,
na  sala há um quarto,
no quarto há uma cama,
na  cama há uma mesa,
na mesa há um pano,
no pano há uma gaiola,
na gaiola há um ninho,
no ninho há um ovo,
no ovo há um pássaro,
no pássaro, um coração:
aqui está o meu amor.

Meu amor está dentro do coração:
o coração está no pássaro,
o pássaro está na gaiola,
a gaiola está no pano,
o pano está na mesa,
a mesa está na cama,
a cama está no quarto,
o quarto está na sala,
a sala está na escada,
a escada está na porta,
a porta está na casa,
a casa está na rua,
a rua está na cidade de Roma
e aqui estão as chaves
da cidade de Roma.


Um pássaro na gaiola





quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Cantiga da Mariana

Fotografia de Camila Svenson


Reparem quantas vezes aparece neste poema popular a terceira pessoa do verbo ter, que alguns alunos teimam em dizer "tene"... Mas sabemos que é tem!
E vejam também: parece que esta menina é um bocado mentirosa... Ai Mariana!




CANTIGA DA MARIANA

Mariana diz que tem
sete saias de balão
que lhe deu um caixeirinho
da gaveta do patrão.

Mariana diz que tem
sete saias de cambraia,
Mariana, mentirosa,
que não tem nenhuma saia.

Mariana diz que tem
sete saias de veludo,
rompe, rompe, Mariana,
que o dinheiro paga tudo.

Mariana diz que tem
sete saias de cetim
que lhe deu um caixeirinho
à saída do jardim.

Mariana diz que tem,
se ela tem, deixá-la ter,
mentira que ela não tem
nem dez réis para comer.

Mariana diz que tem
sete varas de algodão,
mentira, que ela não tem
nem dez réis para sabão.




sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

"A minha casa é pequenina..."




Há tempo que eu não trazia um azulejo ao blogue. Devem saber que estas peças são muito importantes na arte e na decoração portuguessa, e podem ver alguns belos exemplos se clicarem na etiqueta "Azulejos".

Mas o de hoje tem uma diferença: uma breve poesia onde o dono de uma casa a oferece amavelmente a quem lá chegar e bater à porta.



(Reparem: bater à porta = "llamar a la puerta")





segunda-feira, 15 de junho de 2015

A Nau Catrineta (animação)



Baseada na banda desenhada de Artur Correia, esta é a versão animada dessa história. 

Antes de a ver, podíamos ler o romance da Nau Catrineta e ouvir a canção interpretada por Fausto. É só clicar aqui. É uma história mesmo bonita.

De todas as maneiras, devem saber que a versão do romance aqui utilizada é diferente da que vamos ler e ouvir no link. O gajeiro é, na realidade, o demónio. O romance termina desta maneira:


«Capitão, quero a tua alma
para comigo a levar.»
- «Renego de ti, demónio.
que me estavas a atentar!

A minha alma é só de Deus;
o corpo dou eu ao mar.»
Tomou-o um anjo nos braços,
não o deixou afogar.
Deu um estouro o demônio,
acalmaram vento e mar;
e à noite a nau Catrineta
estava em terra a varar.




sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Para S. Valentim





Sino, coração da aldeia.
Coração, sino da gente.
Um a sentir quando bate,
o outro a bater quando sente.

 




terça-feira, 13 de janeiro de 2015

A semana da preguiçosa



Como seria bom nestes dias frios poder ficar na cama de manhã mais um pouco! Sabem o que quer dizer a palavra preguiçosa? Vamos ler um poema popular, muito antigo, sobre uma mulher preguiçosa. Nele podemos ler os nomes dos dias da semana. Reparem que não aparece a palavra feira, como aprenderam no outro dia. É possível dizer assim também.

Atenção, os versos servem também para eles, que seriam preguiçosos.


SEMANA DA PREGUIÇOSA

Na segunda me deito,
na terça me levanto,
na quarta é dia santo,
na quinta vou à feira,
na sexta venho da feira,
sábado vou-me confessar,
no domingo comungar,
diga-me lá, ó comadre,
quando hei-de trabalhar?


Aqui podem ver a origem dos nomes tão curiosos dos dias da semana em português.




quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Uma quadra de desafio

Um boi na serra (Fotografia de Miguel Pinto)


Uma quadra de desafio brasileira, anónima, é claro:

Lá em cima daquela serra,
passa boi, passa boiada,
passa gente ruim e boa,
passa minha namorada.


O que é uma quadra de desafio? Uma das definiçoes de desafio é "situação em que os cantadores respondem um ao outro, improvisando." E cantar ao desafio é cantar à desgarrada. É complicado? Vamos ver:

A desgarrada é uma cantiga popular em que os cantadores vão improvisando, desafiando e respondendo um ao outro, normalmente ao som de concertina. Para além de "Desgarradas", também recebem denominações de Cantares ao Desafio, Cantigas ao Desafio, Cantigas à Desgarrada, etc.



segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Dois tranglomanglos



O que será o tranglomanglo (ou tanglomanglo, ou tangomangro, ou tangromangro, ou trangromango, ou tângoro-mângoro, ou tângor-mangro, ou tangro-mangro)?

Esta palavra, que significa «bruxedo», «sortilégio», «malefício» e é usada na expressão dar o tranglomango (mais ou menos, como "echarle a alguien mal de ojo") é de origem provavelmente onomatopaica.

Leiam estes versinhos e vejam a história desta família, coitada.


Minha mãe teve dez filhos,
todos dez dentro de um pote:
deu o tranglomanglo neles,
não ficaram senão nove.

Desses nove que ficaram
foram amassar biscoito:
deu o tranglomanglo neles,
não ficaram senão oito.

Desses oito que ficaram,
foram pentear o tapete:
deu o tranglomanglo neles,
não ficaram senão sete.

Desses sete que ficaram
foram esperar os reis:
deu o tranglomanglo neles,
não ficaram senão seis.

Desses seis que ficaram
foram depenar um pinto:
deu o tranglomanglo neles,
não ficaram senão cinco.

Desses cinco que ficaram
foram depenar um pato:
deu o tranglomanglo neles,
não ficaram senão quatro.

Desses quatro que ficaram
foram matar uma rês:
deu o tranglomanglo neles,
não ficaram senão três.

Desses três que ficaram
foram dar comida aos bois:
deu o tranglomanglo neles,
não ficaram senão dois.

Desses dois que ficaram
foram matar um peru:
deu o tranglomanglo neles,
e não ficou senão um.

E esse um que ficou
foi ver amassar o pão,
deu o tranglomanglo nele,
e acabou-se a geração.


(Texto inicial adaptado do Ciberdúvidas)


E agora podemos ler a versão escrita pelo poeta português Mário Cesariny de Vasconcelos, e depois ouvir também estes versos recitados pelo grande ator português Mário Viegas:






Era uma vez dez meninas
de uma aldeia muito probe.
Deu um tranglomanglo nelas
não ficaram senão nove.

Era uma vez nove meninas
que só comiam biscoito.
Deu um tranglomanglo nelas
não ficaram senão oito.

Era uma vez oito meninas
em terras de dom Esparguete
Deu um tranglomanglo nelas
não ficaram senão sete.

Era uma vez sete meninas
lindas como outras não veis.
Deu um tranglomanglo nelas
não ficaram senão seis.

Era uma vez seis meninas
em landas de Charles Quinto.
Deu um tranglomanglo nelas
não ficaram senão cinco

Era uma vez cinco meninas
em um triângulo equilatro.
Deu um tranglomanglo nelas
não ficaram senão quatro.

Era uma vez quatro meninas
qu'avondavam só ao mês.
Deu um tranglomanglo nelas
não ficaram senão três.

Era uma vez três meninas
em o paço de dom Fuas.
Deu o tranglomanglo nelas
não ficaram senão duas.

Era uma vez duas meninas
ante um home todo espuma.
Deu um tranglomanglo nelas
transformaram-se em só uma.

Era uma vez uma menina
terrada em terral (coval) mui fundo.
Deu um tranglomanglo nela
voltaram as dez ao mundo.

Mário Cesariny de Vasconcelos

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Oh que lindos olhos

 



Oh que lindos olhos
tem a padeirinha,
tão mal empregados
de andar à farinha.

Oh que lindos olhos
tem o meu José,
tão mal empregados
de andar ao café.

Oh que lindos olhos
tem o meu João,
tão mal empregados
de andar ao carvão.



quarta-feira, 30 de abril de 2014

"A minha casa é pequenina..."



Já sabem como é que se diz em português "llamar a la puerta", para além do que nos dizem estes versos que alguém colocou à porta da sua casa para dar as boas-vindas.



 (Visto em Casa na aldeia)


sexta-feira, 4 de abril de 2014

"Lua minha madrinha..."

Assim brilhava a Lua no Alentejo na noite de 19 de março de 2011


No Alentejo, no passado as crianças tinham receio de olhar a lua, pelo que sempre que a olhavam directamente diziam:


Lua minha madrinha
Não me faças mal a mim
Nem a gente minha...


Porque brilhava tanto a Lua naquele dia? "Neste sábado, a lua apresenta-se 13% maior e 30% mais brilhante do que as restantes luas cheias do resto do ano. Isto porque desde 1993 que a Lua não estava tão próxima da Terra como hoje."



(Fonte dos dados e fotografia: Emílio Moitas)



sexta-feira, 21 de março de 2014

Dia Mundial da Poesia



O escritor português Branquinho da Fonseca escreveu o seguinte poema. Para o compreenderem melhor é preciso conhecer a historia dessa nau Catrineta que aparece no primeiro verso. Em baixo há o texto de um romance popular que fala dela. Depois de o ler, vamos clicar no link e ouvimos uma canção: "A nau Catrineta"


É assim que festejamos mais um Dia Mundial da Poesia, hoje dia 21 de março.


ARQUIPÉLAGO DAS SEREIAS

Ó nau Catrineta
Em que andei no mar
Por caminhos de ir,
Nunca de voltar!

Veio a tempestade
Perder-se do mundo,
Fez-se o céu infindo,
Fez-se o mar sem fundo!

Ai como era grande
O mundo e a vida
Se a nau, tendo estrela,
Vogava perdida!

E que lindas eram
Lá em Portugal
Aquelas meninas
No seu laranjal!

E o cavalo branco
Também lá o via
Que tão belo e alado
Nenhum outro havia!

Mundo que não era,
Terras nunca vistas!
Tive eu de perder-me
Pra que tu existas.

Ó nau Catrineta
Perdida no mar,
Não te percas ainda,
Vem-me cá buscar!

Branquinho da Fonseca


Texto do romance A nau Catrineta:


A NAU CATRINETA

Lá vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar!
ouvide agora, senhores,
uma história de pasmar.

Passava mais de ano e dia
que iam na volta do mar
já não tinham que comer,
já não tinham que manjar.

Deitaram sola de molho
para o outro dia jantar;
mas a sola era tão rija,
que a não puderam tragar.

Deitam sortes à ventura
qual se havia de matar;
logo foi cair a sorte
no capitão-general.

– "Sobe, sobe, marujinho,
àquele mastro real,
vê se vês terras de Espanha,
as praias de Portugal!"

–"não vejo terras de Espanha,
nem praias de Portugal;
vejo sete espadas nuas
que estão para te matar."

–"acima, acima, gajeiro,
acima ao tope real!
olha se enxergas Espanha,
areias de Portugal!"

–"Alvíssaras Capitão,
meu capitão-general!
já vejo terras de Espanha,
areias de Portugal.

Mas enxergo três meninas
debaixo de um laranjal:
uma sentada a coser,
outra na roca a fiar,
a mais formosa de todas
está no meio a chorar."

–"Todas três são minhas filhas.
Oh! quem mas dera abraçar
a mais formosa de todas
contigo a hei-de casar."
–"A vossa filha não quero,
que vos custou a criar."
– "Dar-te-ei tanto dinheiro
que o não possas contar."
 – "Não quero o vosso dinheiro
pois vos custou a ganhar."
–"Dou-te o meu cavalo branco
que nunca houve outro igual."
– "Guardai o vosso cavalo,
que vos custou a ensinar."

– "Que queres tu meu gajeiro
que alvíssaras te hei-de eu dar?"
–"Eu quero a Nau Catrineta,
para nela navegar."

– "A Nau Catrineta amigo,
é d' el-rei de Portugal
pede-a tu a el-rei, gajeiro,
que ta não pode negar."


sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Poesia e contrações

A cidade de Roma


Vejam quantas contrações da preposiçao em com os artigos definidos o e a (no e na). E há duas contrações  da preposição de, que já conhecem. Onde é que estão?


Os alunos das turmas de 1º A e 1º D devem copiar numa folha o poema com os espaços completados com as contrações  e entregar ao Professor no próximo dia de aula: na quarta-feira os primeiros e na terça-feira os segundos.



........ cidade de Roma há uma rua,
........ rua há uma casa,
........  casa há uma porta,
........  porta há uma escada,
........  escada há uma sala,
........  sala há um quarto,
........  quarto há uma cama,
........  cama há uma mesa,
........  mesa há um pano,
........  pano há uma gaiola,
........  gaiola há um ninho,
........  ninho há um ovo,
........  ovo há um pássaro,
........  pássaro, um coração:
aqui está o meu amor.
Meu amor está dentro ........ coração:
o coração está ........ pássaro,
o pássaro está ........ gaiola,
a gaiola está ........ pano,
o pano está ........ mesa,
a mesa está ........ cama,
a cama está ........ quarto,
o quarto está ........ sala,
a sala está ........ escada,
a escada está ........ porta,
a porta está ........ casa,
a casa está ........ rua,
a rua está ........ cidade de Roma
e aqui estão as chaves
........  cidade de Roma.