Blogue dos alunos de português de 1º e 2º da ESO do IES 'M. DOMINGO CÁCERES', em Badajoz, Espanha (2010-09-01 a 2020-01-17)
Bairro de Alfama e Rio Tejo em Lisboa
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terça-feira, 14 de janeiro de 2020
"Não vales pelo que tens, vales pelo que dás"
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Provérbios
Madassa – o menino que não conseguia aprender a ler (Michel Séonnet)
Fotografia de José Carlos Costa
Madassa – o menino que não conseguia aprender a ler
Madassa
Madassa não sabia ler nem escrever.
Madassa tinha a idade que as crianças têm quando sabem ler e escrever.
Mas Madassa não sabia ler nem escrever.
Na cabeça de Madassa não havia lugar para palavras.
Na cabeça de Madassa habitava apenas o medo, escuro e negro, causado pelos barulhos da guerra, e pelos mortos, muitos mortos.
Na cabeça de Madassa vivia uma raiva imensa cheia de porquês.
Como se as perguntas fossem garras dilacerantes.
Na cabeça de Madassa pairava um nevoeiro de tristeza.
Tão espesso que ele não conseguia lembrar-se sequer da cara do irmão ou da irmã, cujo paradeiro ninguém conhecia.
Havia dias em que, na cabeça de Madassa morava a mesma fome que lhe enchia o ventre. A negrura do medo, as garras da raiva, o nevoeiro da tristeza – e, em certos dias, a fome – ocupavam toda a cabeça de Madassa.
Na cabeça de Madassa não havia lugar para as palavras.
A professora já não sabia o que fazer para ajudar Madassa.
Quanto tinha tempo, lia-lhe histórias que ele sozinho não conseguia ler.
Lia-lhe a história do Pequeno Polegar, que tivera tanto medo na floresta.
E o medo do Polegarzinho passeava pela cabeça de Madassa.
Lia-lhe a história de Martinho , que estava sempre irritado.
E a irritação do rapaz era igual à que existia na cabeça de Madassa.
Lia-lhe a história da Menina dos Fósforos.
E a tristeza da Menina chorava na cabeça de Madassa.
A professora contava-lhe também a história de Pedro e a Lua, do menino que queria fazer florir a terra inteira com plumas de pássaro.
E as plumas dançavam na cabeça de Madassa.
E, entretanto, o que acontecia na cabeça de Madassa?
O medo do Polegarzinho deixava palavras para exprimir o medo.
A cólera de Martinho deixava palavras para exprimir a cólera.
A tristeza da Menina dos Fósforos deixava palavras para exprimir a tristeza.
A dança das palavras de Pedro e a Lua deixava palavras que davam vontade de dançar.
Certa manhã, as palavras, fortemente agitadas, não quiseram ficar na cabeça de Madassa.
Então, o menino pegou num caderno, numa caneta, e, embora desajeitadamente, como uma criança que aprende a andar, escreveu:
Madassa medo
Madassa cólera
Madassa tristeza
Madassa por entre as ervas
Madassa ao vento
Madassa na água
Madassa cinzento preto azul
Madassa vermelho amarelo preto
Madassa cinzento amarelo verde
Madassa galo tigre
Madassa sol
─ Um poema! ─ exclamou a professora. ─ Escreveste um poema!
Então escrever é isto!
Pegar nas palavras das histórias e transformá-las nas palavras de Madassa.
Mas é preciso ler muitas histórias para ter muitas palavras.
Madassa começou a ler.
E a escrever também.
Quanto mais lia, mais escrevia.
Quanto mais escrevia, mais vontade tinha de ler.
Era um círculo mágico.
Madassa não sabia ler nem escrever.
Mas enchia agora cadernos e mais cadernos.
Talvez um dia escrevesse um livro.
Madassa escritor.
Michel Séonnet
Madassa
Paris, Ed. Sarcabane, 2003
(Tradução e adaptação)
(Lido em Contadores de histórias)
Madassa
Madassa não sabia ler nem escrever.
Madassa tinha a idade que as crianças têm quando sabem ler e escrever.
Mas Madassa não sabia ler nem escrever.
Na cabeça de Madassa não havia lugar para palavras.
Na cabeça de Madassa habitava apenas o medo, escuro e negro, causado pelos barulhos da guerra, e pelos mortos, muitos mortos.
Na cabeça de Madassa vivia uma raiva imensa cheia de porquês.
Como se as perguntas fossem garras dilacerantes.
Na cabeça de Madassa pairava um nevoeiro de tristeza.
Tão espesso que ele não conseguia lembrar-se sequer da cara do irmão ou da irmã, cujo paradeiro ninguém conhecia.
Havia dias em que, na cabeça de Madassa morava a mesma fome que lhe enchia o ventre. A negrura do medo, as garras da raiva, o nevoeiro da tristeza – e, em certos dias, a fome – ocupavam toda a cabeça de Madassa.
Na cabeça de Madassa não havia lugar para as palavras.
A professora já não sabia o que fazer para ajudar Madassa.
Quanto tinha tempo, lia-lhe histórias que ele sozinho não conseguia ler.
Lia-lhe a história do Pequeno Polegar, que tivera tanto medo na floresta.
E o medo do Polegarzinho passeava pela cabeça de Madassa.
Lia-lhe a história de Martinho , que estava sempre irritado.
E a irritação do rapaz era igual à que existia na cabeça de Madassa.
Lia-lhe a história da Menina dos Fósforos.
E a tristeza da Menina chorava na cabeça de Madassa.
A professora contava-lhe também a história de Pedro e a Lua, do menino que queria fazer florir a terra inteira com plumas de pássaro.
E as plumas dançavam na cabeça de Madassa.
E, entretanto, o que acontecia na cabeça de Madassa?
O medo do Polegarzinho deixava palavras para exprimir o medo.
A cólera de Martinho deixava palavras para exprimir a cólera.
A tristeza da Menina dos Fósforos deixava palavras para exprimir a tristeza.
A dança das palavras de Pedro e a Lua deixava palavras que davam vontade de dançar.
Certa manhã, as palavras, fortemente agitadas, não quiseram ficar na cabeça de Madassa.
Então, o menino pegou num caderno, numa caneta, e, embora desajeitadamente, como uma criança que aprende a andar, escreveu:
Madassa medo
Madassa cólera
Madassa tristeza
Madassa por entre as ervas
Madassa ao vento
Madassa na água
Madassa cinzento preto azul
Madassa vermelho amarelo preto
Madassa cinzento amarelo verde
Madassa galo tigre
Madassa sol
─ Um poema! ─ exclamou a professora. ─ Escreveste um poema!
Então escrever é isto!
Pegar nas palavras das histórias e transformá-las nas palavras de Madassa.
Mas é preciso ler muitas histórias para ter muitas palavras.
Madassa começou a ler.
E a escrever também.
Quanto mais lia, mais escrevia.
Quanto mais escrevia, mais vontade tinha de ler.
Era um círculo mágico.
Madassa não sabia ler nem escrever.
Mas enchia agora cadernos e mais cadernos.
Talvez um dia escrevesse um livro.
Madassa escritor.
Michel Séonnet
Madassa
Paris, Ed. Sarcabane, 2003
(Tradução e adaptação)
(Lido em Contadores de histórias)
sexta-feira, 29 de novembro de 2019
Uma BD infantil portuguesa: "Diferentes" (Petra Marcos - Aida Teixeira)
Retirado do fantástico blogue sobre BD de Geraldes Lino, Divulgando Banda Desenhada:
"(...) uma banda desenhada que considerei muito interessante, intitulada Diferentes, assinada por uma dupla feminina (coisa muito invulgar na BD portuguesa), formada por Petra Marcos (desenhadora) e Aida Teixeira aka Diabba (argumentista), com o apoio (de qualidade) do colorista Rui Moura"
terça-feira, 1 de outubro de 2019
terça-feira, 14 de maio de 2019
Preconceito (Alexandre Beck)
preconceito
substantivo masculino
1. qualquer opinião ou sentimento concebido sem exame crítico.
ideia, opinião ou sentimento desfavorável formado sem conhecimento abalizado, ponderação ou razão.
2. sentimento hostil, assumido em consequência da generalização apressada de uma experiência pessoal ou imposta pelo meio; intolerância.
"p. contra um grupo religioso, nacional ou racial"
3. conjunto de tais atitudes.
"combater o p."
substantivo masculino
1. qualquer opinião ou sentimento concebido sem exame crítico.
ideia, opinião ou sentimento desfavorável formado sem conhecimento abalizado, ponderação ou razão.
2. sentimento hostil, assumido em consequência da generalização apressada de uma experiência pessoal ou imposta pelo meio; intolerância.
"p. contra um grupo religioso, nacional ou racial"
3. conjunto de tais atitudes.
"combater o p."
terça-feira, 7 de maio de 2019
Isto fazem as plantas e as árvores por nós
sexta-feira, 8 de março de 2019
Igualdade e respeito para todos os dias
Estas fotografias têm dois anos, mas as mensagens são intemporais, não acham? Igualdade e respeito para todos os dias, naturalmente.
(Olho do Tempo - Escola Viva. 8 de Março. Dia Internacional da Mulher. 2017). Autor: Thiago Nozi.
sexta-feira, 14 de dezembro de 2018
Meninos de todas as cores (Luísa Ducla Soares)
Afinal, fica claro que o melhor para o nosso desenvolvimento como pessoas, é viajar e conhecer o mundo.
MENINOS DE TODAS AS CORES
Era uma vez um menino branco chamado Miguel, que vivia numa terra de meninos brancos e dizia:
É bom ser branco
porque é branco o açúcar, tão doce,
porque é branco o leite, tão saboroso,
porque é branca a neve, tão linda.
Mas certo dia o menino partiu numa grande viagem e chegou a uma terra onde todos os meninos eram amarelos. Arranjou uma amiga chamada Flor de Lótus, que, como todos os meninos amarelos, dizia:
É bom ser amarelo
porque é amarelo o Sol
e amarelo o girassol
mais a areia da praia.
O menino branco meteu-se num barco para continuar a sua viagem e parou numa terra onde todos os meninos são pretos. Fez-se amigo de um pequeno caçador chamado Lumumba que, como os outros meninos pretos, dizia:
É bom ser preto
como a noite
preto como as azeitonas
preto como as estradas que nos levam para
toda a parte.
O menino branco entrou depois num avião, que só parou numa terra onde todos os meninos são vermelhos. Escolheu para brincar aos índios um menino chamado Pena de Águia. E o menino vermelho dizia:
É bom ser vermelho
da cor das fogueiras
da cor das cerejas
e da cor do sangue bem encarnado.
O menino branco foi correndo mundo até uma terra onde todos os meninos são castanhos. Aí fazia corridas de camelo com um menino chamado Ali-Babá, que dizia:
É bom ser castanho
como a terra do chão
os troncos das árvores
é tão bom ser castanho como um chocolate.
Quando o menino voltou à sua terra de meninos brancos, dizia:
É bom ser branco como o açúcar
amarelo como o Sol
preto como as estradas
vermelho como as fogueiras
castanho da cor do chocolate.
Enquanto, na escola, os meninos brancos pintavam em folhas brancas desenhos de meninos brancos, ele fazia grandes rodas com meninos sorridentes de todas as cores.
Luísa Ducla Soares
Lido em Histórias em Português
É bom ser branco
porque é branco o açúcar, tão doce,
porque é branco o leite, tão saboroso,
porque é branca a neve, tão linda.
Mas certo dia o menino partiu numa grande viagem e chegou a uma terra onde todos os meninos eram amarelos. Arranjou uma amiga chamada Flor de Lótus, que, como todos os meninos amarelos, dizia:
É bom ser amarelo
porque é amarelo o Sol
e amarelo o girassol
mais a areia da praia.
O menino branco meteu-se num barco para continuar a sua viagem e parou numa terra onde todos os meninos são pretos. Fez-se amigo de um pequeno caçador chamado Lumumba que, como os outros meninos pretos, dizia:
É bom ser preto
como a noite
preto como as azeitonas
preto como as estradas que nos levam para
toda a parte.
O menino branco entrou depois num avião, que só parou numa terra onde todos os meninos são vermelhos. Escolheu para brincar aos índios um menino chamado Pena de Águia. E o menino vermelho dizia:
É bom ser vermelho
da cor das fogueiras
da cor das cerejas
e da cor do sangue bem encarnado.
O menino branco foi correndo mundo até uma terra onde todos os meninos são castanhos. Aí fazia corridas de camelo com um menino chamado Ali-Babá, que dizia:
É bom ser castanho
como a terra do chão
os troncos das árvores
é tão bom ser castanho como um chocolate.
Quando o menino voltou à sua terra de meninos brancos, dizia:
É bom ser branco como o açúcar
amarelo como o Sol
preto como as estradas
vermelho como as fogueiras
castanho da cor do chocolate.
Enquanto, na escola, os meninos brancos pintavam em folhas brancas desenhos de meninos brancos, ele fazia grandes rodas com meninos sorridentes de todas as cores.
Luísa Ducla Soares
Lido em Histórias em Português
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sexta-feira, 20 de abril de 2018
Não sou capaz (António Torrado)
A águia de penugem branca ainda não tinha saído do ninho. Via o pai e a mãe, num voo alto, rente às nuvens, e pensava: "Nunca vou ser capaz".
O pai e a mãe traziam-lhe comida no bico. A aguiazinha devorava os petiscos, gulosa.
- Não engulas tudo de uma vez, que ainda te engasgas - recomendava-lhe a mãe.
Mas a aguiazinha não queria saber. Tinha fome, muita fome, uma fome insaciável, que ela não sabia controlar. Algumas penas de brancas passavam a cinzentas. O corpo ganhava elegância. As asas cresciam.
Os pais iam e vinham, num voo planado, que era a admiração da filha. "Nunca vou ser capaz de fazer o mesmo", pensava.
- Amanhã começas a aprender a voar - disse-lhe o pai.
Mas, nesse dia, choveu e a lição foi adiada. Os pais é que não desistiram de caçar. Deixaram-na só, no quente do ninho.
Estava ela aconchegada e contente pelo adiamento da lição, quando sentiu um roçar de perigo, nos ramos perto. Era uma serpente, que se desenroscava por um tronco, em direcção a ela.
A aguiazinha piou, aterrorizada. Eriçaram-se-lhe as penas. Bateu as asas, para afugentar a intrusa de língua silvante. A serpente continuava a deslizar para ela, segura da presa. Ia armar o último salto. Ia destroçá-la. Ia comê-la.
Bateu a águia as asas com mais força e suspendeu-se no ar. Num impulso de pânico, largou o ninho. Ia cair. Não caiu.
Soltou-se no ar, a curta distância da árvore que abrigara o ninho. Sentiu uma tontura. Agarrou as patas a um ramo, mas o ramo cedeu. Agitou as asas com mais força e elevou-se nos ares. Tudo aquilo lhe parecia impossível. Ela voava.
Quando os pais regressaram, a aguiazinha, de asas distendidas, como se quisesse abarcar o céu num grande abraço, voou, feliz, ao seu encontro.
António Torrado
Mais uma das suas Histórias do dia
- Não engulas tudo de uma vez, que ainda te engasgas - recomendava-lhe a mãe.
Mas a aguiazinha não queria saber. Tinha fome, muita fome, uma fome insaciável, que ela não sabia controlar. Algumas penas de brancas passavam a cinzentas. O corpo ganhava elegância. As asas cresciam.
Os pais iam e vinham, num voo planado, que era a admiração da filha. "Nunca vou ser capaz de fazer o mesmo", pensava.
- Amanhã começas a aprender a voar - disse-lhe o pai.
Mas, nesse dia, choveu e a lição foi adiada. Os pais é que não desistiram de caçar. Deixaram-na só, no quente do ninho.
Estava ela aconchegada e contente pelo adiamento da lição, quando sentiu um roçar de perigo, nos ramos perto. Era uma serpente, que se desenroscava por um tronco, em direcção a ela.
A aguiazinha piou, aterrorizada. Eriçaram-se-lhe as penas. Bateu as asas, para afugentar a intrusa de língua silvante. A serpente continuava a deslizar para ela, segura da presa. Ia armar o último salto. Ia destroçá-la. Ia comê-la.
Bateu a águia as asas com mais força e suspendeu-se no ar. Num impulso de pânico, largou o ninho. Ia cair. Não caiu.
Soltou-se no ar, a curta distância da árvore que abrigara o ninho. Sentiu uma tontura. Agarrou as patas a um ramo, mas o ramo cedeu. Agitou as asas com mais força e elevou-se nos ares. Tudo aquilo lhe parecia impossível. Ela voava.
Quando os pais regressaram, a aguiazinha, de asas distendidas, como se quisesse abarcar o céu num grande abraço, voou, feliz, ao seu encontro.
António Torrado
Mais uma das suas Histórias do dia
quinta-feira, 8 de março de 2018
Um Dia Internacional da Mulher diferente de outros anos
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quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018
A ovelha generosa (António Torrado)
Era uma ovelha muito generosa. Sabem o que é ser generoso? É gostar de dar, dar por prazer. Pois esta ovelha era mesmo muito generosa. Dava lã. Dava lã, quando lhe pediam. Vinha uma velhinha e pedia-lhe um xailinho de lã para o Inverno. A ovelha dava. Vinha uma menina e pedia-lhe um carapuço de lã para ir para à escola. A ovelha dava. Vinha um rapaz e pedia-lhe um cachecol de lã para ir à bola. A ovelha dava. Vinha uma senhora e pedia-lhe umas meias de lã para trazer por casa. A ovelha dava.
- Ó ovelha, não achas de mais? Xailes, carapuços, cachecóis, meias... É só dar, dar...
- Não se ralem - respondia a ovelha. - Vocês não aprenderam na escola que a vaca dá leite e a ovelha dá lã? É o que eu estou a fazer.
Apareceu a Dona Carlota, muito afadigada:
- Eu só queria um novelozinho para fazer um saco para a botija. Ainda chega? Pois claro que chegava. A ovelha a dar nunca se cansava.
Veio a Dona Firmina, muito preocupada:
- Eu só queria um novelozinho para uma pega para a cozinha. Ainda chega? Pois claro que chegava. A ovelha a dar nunca se cansava.
Veio a Dona Alda, muito atarantada:
- Eu só queria um novelozinho para acabar uma manta. Ainda chega? Pois claro que chegava. A ovelha a dar nunca se cansava.
E eram coletes, camisolas, golas, golinhas, luvas... que a gente até estranhava que a lã se lhe não acabasse. A ovelha sorria e tranquilizava: - Não acaba. Nunca acaba. Conhecem aquele ditado: "Quem dá por bem, muito lhe cresce também"? Pois é o que eu faço.
E a ovelha generosa lá foi atender uma avó, que precisava de um novelo para um casaquinho de bebé, o seu primeiro neto que estava para nascer...
António Torrado
De Histórias do dia
Biblioteca Escolar Escola B. I. de S. João de Loure.Agrupamento de Escolas de Albergaria-a-Velha.
- Ó ovelha, não achas de mais? Xailes, carapuços, cachecóis, meias... É só dar, dar...
- Não se ralem - respondia a ovelha. - Vocês não aprenderam na escola que a vaca dá leite e a ovelha dá lã? É o que eu estou a fazer.
Apareceu a Dona Carlota, muito afadigada:
- Eu só queria um novelozinho para fazer um saco para a botija. Ainda chega? Pois claro que chegava. A ovelha a dar nunca se cansava.
Veio a Dona Firmina, muito preocupada:
- Eu só queria um novelozinho para uma pega para a cozinha. Ainda chega? Pois claro que chegava. A ovelha a dar nunca se cansava.
Veio a Dona Alda, muito atarantada:
- Eu só queria um novelozinho para acabar uma manta. Ainda chega? Pois claro que chegava. A ovelha a dar nunca se cansava.
E eram coletes, camisolas, golas, golinhas, luvas... que a gente até estranhava que a lã se lhe não acabasse. A ovelha sorria e tranquilizava: - Não acaba. Nunca acaba. Conhecem aquele ditado: "Quem dá por bem, muito lhe cresce também"? Pois é o que eu faço.
E a ovelha generosa lá foi atender uma avó, que precisava de um novelo para um casaquinho de bebé, o seu primeiro neto que estava para nascer...
António Torrado
De Histórias do dia
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quinta-feira, 27 de abril de 2017
Uma curta de animação: A ponte
segunda-feira, 15 de junho de 2015
Estes meninos vão a caminho da escola
Esta menina voa num cabo de aço 400 m por cima do rio Negro, na Colômbia. Ela vai a caminho da escola.
Só isto: o que acham? Alguém tem alguma queixa do caminho à nossa escola? Bem. acho que não. Pensem um bocado no que veem nestas fotografias. Como é duro para estes meninos e meninas poderem aprender. Tantos perigos no caminho para a escola, e no regresso também.
Pensem na vossa sorte. Vocês queixam-se algumas vezes quando se levantam de manhã para vir para a escola? Lembrem-se destes meninos e meninas. Eles querem aprender, e os pais também querem isso para os seus filhos, porque sabem que não pode haver coisa melhor para quando forem crescidos.
Pensem na vossa sorte. Vocês queixam-se algumas vezes quando se levantam de manhã para vir para a escola? Lembrem-se destes meninos e meninas. Eles querem aprender, e os pais também querem isso para os seus filhos, porque sabem que não pode haver coisa melhor para quando forem crescidos.
Viagem de 5 horas pelas montanhas por um caminho de 1 m de largura para a escola provavelmente mais remota do mundo, em Gulu, na China.
Indonésia. Depois de ser publicada esta fotografia, um homem muito rico desse país fez construir uma ponte nova. Mas, de todas as maneiras, o caminho continua a ser longo e difícil.
sexta-feira, 12 de junho de 2015
Um desenho de Elcerdo
Tiago Lacerda assina como Elcerdo. Ele é brasileiro. E a partir desta imagem, eu pergunto: Quem é que não daria um bocado dessa sandes ao cãozinho faminto. Reparem nos olhos dele, coitado!
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quinta-feira, 12 de março de 2015
"Não gosto de gente nublada e fria..."
Pois é, pode haver gente "nublada e fria" como o mau tempo. É melhor conhecer essas pessoas "de alma ensolarada e quentinha", não é verdade?
Mas reparem numa coisa. A primeira impressão que nos faz alguém que conhecemos pode ser má, mas depois, aos poucos, conhecendo melhor essa pessoa, gostamos dela, é muito diferente de como nós tínhamos pensado...
Não se esqueçam ("No os olvidéis")
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
As peles dos animais...
... é melhor que fiquem nos animais. Para nos agasalharmos, um casaco de lã, por exemplo, a lã das ovelhas volta a crescer.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
Coisas da vida
A sabedoria não se encontra no topo de nenhuma montanha nem no último ano de um curso superior. É num pequeno monte de areia do recreio do jardim de infância que se pode aprender tudo o que é necessário na vida:
. partilhar
. respeitar as regras do jogo
. não bater em ninguém
. guardar as coisas nos sítios onde estavam
. manter tudo sempre limpo
. não mexer nas coisas dos outros
. pedir desculpa quando se magoa alguém
. viver uma vida equilibrada: estudar, pensar, desenhar, pintar, cantar, dançar, brincar, trabalhar, fazer tudo um pouco, todos os dias.
Robert Fulghum, escritor norte-americano
quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
Medo, timidez e arrogância
"Uma excelente animação de Simon Christen, que demonstra muito bem o resultado do medo diante de algumas situações nas quais nos sentimos vulneráveis. E na maioria das vezes estes medos originam-se de preconceitos infundados, talvez até mesmo vindos da timidez e da arrogância."
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
sexta-feira, 14 de novembro de 2014
Ler é uma delícia: "O Vento Norte e o Sol"
Como dizer que "ler é uma delícia" e não ter nada para ler.
O Vento Norte e o Sol
Uma disputa surgiu entre o Vento Norte e o Sol, cada um afirmando que era mais forte do que o outro. Para provar o que cada um dizia, eles concordaram em mostrar seus poderes sobre um viajante que, vestindo um casaco, caminhava pela calçada.
Ficou acertado entre eles, o Vento e o Sol que, quem conseguisse fazer o homem tirar o casaco, era o mais forte.
O Vento começou. Soprou violentamente contra o homem, mas quanto mais soprava, mais o homem segurava firmemente seu casaco contra o corpo. Exausto de tanto tentar, o vento desistiu.
Então chegou a vez do Sol. Saindo detrás das nuvens, o Sol lançou gentilmente seus raios sobre o homem, que, sentindo um leve calor, logo desabotoou seu casaco. O Sol aumentou um pouco seu brilho e o homem, em seguida, retirou o casaco e, segurando-o no braço, continuou a caminhar alegremente sobre os suaves raios do Sol.
Moral da história: Persuasão e gentileza são melhores do que a força.
O Vento começou. Soprou violentamente contra o homem, mas quanto mais soprava, mais o homem segurava firmemente seu casaco contra o corpo. Exausto de tanto tentar, o vento desistiu.
Então chegou a vez do Sol. Saindo detrás das nuvens, o Sol lançou gentilmente seus raios sobre o homem, que, sentindo um leve calor, logo desabotoou seu casaco. O Sol aumentou um pouco seu brilho e o homem, em seguida, retirou o casaco e, segurando-o no braço, continuou a caminhar alegremente sobre os suaves raios do Sol.
Moral da história: Persuasão e gentileza são melhores do que a força.
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