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terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Madassa – o menino que não conseguia aprender a ler (Michel Séonnet)

Fotografia de José Carlos Costa

Madassa – o menino que não conseguia aprender a ler

Madassa

Madassa não sabia ler nem escrever.
Madassa tinha a idade que as crianças têm quando sabem ler e escrever.
Mas Madassa não sabia ler nem escrever.

Na cabeça de Madassa não havia lugar para palavras.
Na cabeça de Madassa habitava apenas o medo, escuro e negro, causado pelos barulhos da guerra, e pelos mortos, muitos mortos.

Na cabeça de Madassa vivia uma raiva imensa cheia de porquês.
Como se as perguntas fossem garras dilacerantes.
Na cabeça de Madassa pairava um nevoeiro de tristeza.
Tão espesso que ele não conseguia lembrar-se sequer da cara do irmão ou da irmã, cujo paradeiro ninguém conhecia.

Havia dias em que, na cabeça de Madassa morava a mesma fome que lhe enchia o ventre. A negrura do medo, as garras da raiva, o nevoeiro da tristeza – e, em certos dias, a fome – ocupavam toda a cabeça de Madassa.
Na cabeça de Madassa não havia lugar para as palavras.

A professora já não sabia o que fazer para ajudar Madassa.
Quanto tinha tempo, lia-lhe histórias que ele sozinho não conseguia ler.
Lia-lhe a história do Pequeno Polegar, que tivera tanto medo na floresta.
E o medo do Polegarzinho passeava pela cabeça de Madassa.
Lia-lhe a história de Martinho , que estava sempre irritado.
E a irritação do rapaz era igual à que existia na cabeça de Madassa.
Lia-lhe a história da Menina dos Fósforos.
E a tristeza da Menina chorava na cabeça de Madassa.
A professora contava-lhe também a história de Pedro e a Lua, do menino que queria fazer florir a terra inteira com plumas de pássaro.
E as plumas dançavam na cabeça de Madassa.

E, entretanto, o que acontecia na cabeça de Madassa?
O medo do Polegarzinho deixava palavras para exprimir o medo.
A cólera de Martinho deixava palavras para exprimir a cólera.
A tristeza da Menina dos Fósforos deixava palavras para exprimir a tristeza.
A dança das palavras de Pedro e a Lua deixava palavras que davam vontade de dançar.

Certa manhã, as palavras, fortemente agitadas, não quiseram ficar na cabeça de Madassa.
Então, o menino pegou num caderno, numa caneta, e, embora desajeitadamente, como uma criança que aprende a andar, escreveu:

Madassa medo
Madassa cólera
Madassa tristeza

Madassa por entre as ervas
Madassa ao vento
Madassa na água

Madassa cinzento preto azul
Madassa vermelho amarelo preto
Madassa cinzento amarelo verde

Madassa galo tigre
Madassa sol

─ Um poema! ─ exclamou a professora. ─ Escreveste um poema!

Então escrever é isto!
Pegar nas palavras das histórias e transformá-las nas palavras de Madassa.
Mas é preciso ler muitas histórias para ter muitas palavras.

Madassa começou a ler.
E a escrever também.
Quanto mais lia, mais escrevia.
Quanto mais escrevia, mais vontade tinha de ler.
Era um círculo mágico.

Madassa não sabia ler nem escrever.
Mas enchia agora cadernos e mais cadernos.
Talvez um dia escrevesse um livro.

Madassa escritor.


Michel Séonnet
Madassa
Paris, Ed. Sarcabane, 2003
(Tradução e adaptação)


(Lido em Contadores de histórias)




segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Uma ilustração de Bruno Aziz





Bruno Aziz, "Literatura de Terror...Ilustra para o Caderno 2 do Jornal A Tarde"


quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Amar a leitura

Fotografia de Sara Nascimento


Encontrei isto num blogue português. Espero que gostem.


Textos produzidos por alunos do 6º ano da  Agrupamento de Escolas Campo Aberto – Escola E.B. 2/3 de Beiriz, numa Oficina de escrita (o 6º ano português equivale ao 6º ano de "Primaria" no nosso país)


Por que amo a leitura?

Eu amo ler porque gosto de vaguear nas letras que formam as palavras! Cada frase tem drama, terror, paixão e aventura! Sinto as palavras na minha cabeça! Quando leio, entro para a história, sou personagem, vivo a história! Sinto Magia quando abro um livro e quando acabo de o ler, vem outro, mais outro e outro, outro sem fim... até a minha prateleira ficar repleta e assim vou enchendo a minha vida de sonhos!

Helena Duarte, 6ºA

A leitura é muito essencial para a vida. Ajuda-nos a aprender diversas palavras e sentimentos. Há pessoas que não gostam de ler, mas devem fazer um esforço, pois o gosto vem com o hábito. Os livros são como a comida: "como é que eu sei que não gosto se não experimento?"
Eu amo ler e é graças à leitura que tenho uma imaginação fértil e criativa!
Amo a minha Biblioteca!

João Azevedo, 6ºA


BiblioBeiriz - Serviços de Biblioteca – Agrupamento de Escolas Campo Aberto – Escola E.B. 2/3 de Beiriz





sexta-feira, 14 de junho de 2019

"Eu também quero ler"



Não consigo ler bem o nome do autor desta tira. Parece Jean Galvão... A árvore quer saber como é que continua a história do livro...





O Armandinho na biblioteca (Alexandre Beck)



Ele chama-se Armandinho e é brasileiro, quem desenha é Alexandre Beck.


Em Portugal:

"Não tem mais ninguém aqui" diz-se "Não há mais ninguém aqui"

"Em uma biblioteca você pode viajar pelo mundo" diz-se "Em uma/Numa biblioteca tu podes viajar pelo mundo"





sexta-feira, 3 de maio de 2019

Em casas onde há livros...


É assim, em casas onde há livros, as crianças costumam ler também, porque veem os pais a ler e para elas é natural fazer o que os pais fazem. E crescem e continuam a ler e a aprender e a desfrutar... É claro que se desfruta quando se lê por prazer, e não por obrigação.

A fotografia é de Bart Ramakers.



terça-feira, 23 de abril de 2019

Conta-me um conto (Canto Décimo)



CONTA-ME UM CONTO

Refrão
Conta-me um conto
Conta-me um conto
Conta, conta, conta, conta
(bis)

Abracadabra
Bruxa malvada
Asas morcego
Pé de cabra

Faz um feitiço
Leva sumiço
Cruzes e figas
Num caniço

Bela princesa
Corte encantada
Toc que toc
Minha fada

Boa madrinha
Faz-me um soninho
Corre que corre
Cavalinho

Refrão
Conta-me um conto
Conta-me um conto
Conta, conta, conta, conta
(bis)

Zascatrapás
Bicho agoirento
Raios e trevas
Para trás

Cobras lagartos
Num alçapão
Bichos e medos
Num caldeirão

Príncipe lindo
De encantamento
Ai, dá-me um lindo
Casamento

Espada luzente
Na barca bela
Pisca que pisca
Minha estrela

Refrão
Conta-me um conto
Conta-me um conto
Conta, conta, conta, conta
(bis)

(BiblioBeiriz)





Hoje é o Dia do Livro

F. Gulbenkian - [Biblioteca Itinerante n.º 006 (Lagos). Leitora]

Voltamos das férias da Páscoa neste bonito dia, 23 de abril, já sabem, o Dia do Livro. 


Vejam esta árvore: as suas folhas são folhas de livros. E agora vamos aproveitar para ler um conto tradicional português:


AS TRÊS MAÇÃZINHAS DE OURO

Havia uma vez três irmãos. O mais novo tinha três maçãzinhas de ouro, e os outros, para ver se lhas tiravam, mataram-no e enterraram-no num monte. Depois nasceu na sepultura uma cana.

Certo dia passou por lá um pastor que cortou um pedaço da cana para fazer uma flauta; começou a tocar, mas a flauta, em vez de tocar, dizia;

Toca, toca, ó pastor,
os meus irmãos me mataram
por três maçãzinhas de ouro,
e ao cabo não as levaram.

O pastor, quando ouviu isto, chamou um carvoeiro e deu-lhe a flauta. O carvoeiro começou também a tocar, mas a flauta dizia o mesmo. O carvoeiro passou-a a outra pessoa, e assim ela foi andando de mão em mão, até que chegou ao pai e à mãe do morto; a flauta ainda dizia o mesmo.

Chamaram o pastor que disse onde tinha cortado a cana. Foram lá e encontraram o cadáver com as três maçãzinhas de ouro.




Eu leio, tu lês, nós lemos...

(Fonte: Bibliobeiriz)





quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Hoje é o Dia do Livro


Pedro Ribeiro Simões não é fotógrafo de profissão, mas adora fotografar. Ele tira muitas fotografias de pessoas na rua a ler em toda a parte, mas a maioria delas são, geralmente, de raparigas e mulheres; homens há poucos. Isso conconcorda com os datos estatísticos que, pelo menos na Espanha, provam que as mulheres leem mais do que os homens. É possível que seja assim também em Portugal e pelo mundo fora...

Aproveito para vos dizer, meninos e meninas, que o Dia do Livro devia ser celebrado cada dia, nem que fosse lendo uma, duas, quatro páginas...

Agora, fotografias tiradas em Cascais e em Lisboa, e, a seguir, o começo de um conto de uma grande escritora portuguesa: Sophia de Mello Breyner Andresen., que vamos ler na sala de aula.











segunda-feira, 9 de abril de 2018

Um descanso no trabalho



Uma rapariga, trabalhadora numa pequena fábrica de seda no Japão, lê enquanto descansa uns minutos.



(Fotografia de que se desconhece autor e data) 



sexta-feira, 23 de março de 2018

Tantos livros!



Será possível escolher um livro entre tantos, tantos, tantos livros? Tão difícil...




terça-feira, 18 de abril de 2017

23 de abril - Dia Mundial do Livro



Voltamos das férias da Páscoa a recordar que nesta semana calha em domingo o dia 23 de abril, Dia Mundial do Livro...






sábado, 23 de abril de 2016

O livro que só queria ser lido

«O Livro que só queria ser lido», uma adaptação do conto homónimo de José Jorge Letria, p'los Valdevinos - Teatro de Marionetas.


Como não dispomos de nenhum trecho do livro, vamos saber o que é que podemos encontar nele. No blogue Turma 4º A contam-nos o seguinte:

Era uma vez um livro que apenas queria ser lido. Ele estava depositado numa estante junto de outros livros e de dicionários. Apesar de se sentir só, estes amigos ensinaram-lhes coisas novas. Um dia colocaram-lhe dossiês com facturas e isso entristeceu-o. Alguns meses depois, uma máquina de escrever foi colocada a seu lado. A sua tristeza desvaneceu, pois já tinha com quem conversar.

Os dias de alegria do livro estavam prestes a terminar, pois o irmão mais velho da Mariana decidiu vender a máquina a um coleccionador ou a uma loja de objectos antigos. Mesmo assim, durante estes momentos que passaram juntos, a máquina disse ao livro que todos os livros são importantes, pois cada um tem uma coisa nova para ensinar. Mas o terrível dia chegou e estes dois amigos separaram-se para sempre… Para homenagear o livro, a máquina de escrever deixou ficar na sua estante duas letras do seu teclado: o A de “adeus” e o S de “Saudade”.

O livro passou dias e dias a chorar…até que o computador – o inimigo da máquina de escrever – tentou ser amável com o livro. Contudo, a tristeza não acabou…o tio Vicente morreu… o seu dono tinha desaparecido…

Foi dito ao dono da casa que o tio Vicente era possuidor de uma grande fortuna que se encontrava num cofre. Mas a chave para o abrir estava escondida num livro de que ele gostava muito, mas qual?

O livro ao saber disto decidiu cair novamente da estante para chamar a atenção e… o código tão desejado!!!

Como forma de agradecimento os proprietários voltaram a ler o livro, agradecidos pelo acto dele. Assim, o seu desejo foi concretizado… Foi novamente lido…

Desde então a família começou a ler o livro com muito amor e carinho!!!








segunda-feira, 18 de abril de 2016

“Ler para arvorar novos pensamentos”




Encontrei esta frase e a ilustração no Facebook da Biblioteca Municipal de Beja José Saramago. Bonita e verdadeira, não é?

“Ler para arvorar novos pensamentos”



A ilustração é de Rådhusets-Julkalender