Bairro de Alfama e Rio Tejo em Lisboa

terça-feira, 26 de junho de 2012

Uma pretinha no bairro da Lapa


Pretinha é o título desta fotografia de Martin Lazarev. Ele tirou-a no bairro da Lapa, no Rio de Janeiro.



Fotografia de Kátia Busson 

segunda-feira, 25 de junho de 2012

A voz da terra (António Botto)


Leituras para estes dias do verão. Agora têm  todo o tempo do mundo. Alguém se anima a ler até ao fim este conto? Se não compreenderem todas as palavras, não faz mal, algumas delas podem procurar no dicionário e outras tentar imaginar qual o significado...

A Voz da Terra

Um rei que vivia solitário, certo dia, lembrou-se de mandar construir um palácio que fosse uma grande maravilha. E para que essa construção ficasse de facto grandiosa, pensou que só poderia erguê-la sobre uma alta coluna cujo alicerce infinitamente forte pudesse, em verdade, sustê-la. Chamando o seu íntimo ajudante, deu-lhe esta ordem:

— Desejo que mandes alguns homens a todas as florestas e bosques do universo a fim de encontrarem a árvore mais ampla e mais alta que houver debaixo do sol. Não te surpreendas, vai.

E trinta rachadores de madeira partiram à procura da árvore gigantesca. Semanas depois, regressaram:

— Encontramos a árvore, mas é impossível transportá-la.
— Levem cavalos para a trazer! – exclamou o rei.
— Não poderiam com ela.
— Algumas centenas de bois?
— Não poderiam com ela.
— Todos os meus elefantes?
— Também não será bastante.
— Pois seja como for; dentro de um prazo de oito dias, quero a árvore aqui! – disse, por fim, com azedume.

E os trinta leais servidores, de cabeça baixa, e em silêncio, partiram para a floresta. Porém uma outra árvore surgiu ainda mais bela. Era uma árvore venerada por todos os habitantes desse pequeno lugar e arredores, porque viviam na ilusão – ou na certeza! – de que um deus nela habitava e que a essa presença divina é que a árvore devia a sua exuberante formosura e o seu aspecto tão alto, tão forte, maravilhoso! Entretanto, o rei ordenou que a derrubassem porque só ela poderia ser a coluna do seu desejado palácio. Descantes e danças, abraços e beijos, à roda do velho tronco, misturavam-se na voz de alguém que a cantar dizia:

Deus, oculto e generoso,
Procura outra morada,
Que esta árvore frondosa,
À ordem de El-rei senhor,
Vai, por nós, ser derrubada.

A folhagem estremeceu; as ramarias mais altas inclinaram-se, chorosas, e um vago lamento se ouviu:

— Se o vosso rei teimar nesse propósito, todas estas árvores de fruto e todas estas plantações que crescem à minha volta ficarão também destruídas. Digam, pois, ao vosso rei, que esse desejo é cruel. Contudo, se ele teimar, humildemente me entrego...

Nessa noite, enquanto o soberano dormia, o Deus da árvore venerada apareceu-lhe e ao ouvido assim falou tristemente:

— Sei eu que mandaste derrubar a árvore maior e mais alta da floresta. Venho pedir-te que não pratiques esse monstruoso crime.
— Mas onde vou eu encontrar a coluna para o palácio que quero mandar construir?

— Raciocina, Rei sabedor: durante quatro mil anos recebi a adoração de todos os habitantes destas povoações vizinhas e, em troca, só benefícios saíram das minhas mãos. As aves adormecem, cantam e vivem nos meus ramos. Espalho sombra e bem-estar ao caminhante fatigado pelas ardências solares. Estão comigo a paz e o bem.

— É verdade quanto dizes, ó alma dessa árvore formosa. Mas mantenho o que desejo.

— Está bem; não devo contrariar-te. Só uma coisa ainda te peço. Manda-a cortar por três vezes. Primeiro, a cabeça coroada de folhagem verde; depois, o tronco com os seus braços abertos ao amor e ao infortúnio; e, por fim, as raízes que são tantas e tão profundas que hão-de abalar a terra inteira.

— O que me pedes surpreende-me pela originalidade. Até hoje ninguém me pediu que lhe tirasse a vida por três vezes! Porque não queres suportar a morte num golpe certeiro?

— Eu te respondo, rei inteligente: à volta de mim cresce e vive a minha família. Variadíssimas árvores prosperam à minha sombra generosa. Se eu tombar de um arranco, o meu corpo pesado e enorme, vai, certamente, mutilar essas vidas florescentes; mas, se cair por três vezes e em três bocados, será mais suave o desastre, por elas e não por mim!

No dia seguinte a ordem do rei era esta:

— Não quero que derrubem essa árvore! Nela mora um espírito de tanta beleza moral que é necessário respeitar e ouvir. As árvores são sagradas. Para edificar a minha casa outra coluna se arranjará; talvez de bronze ou de prata, ou, talvez, unicamente deste infeliz coração que bate aqui no meu peito.

António Botto

Do livro Os Contos de António Botto

Lido no blogue Contos de aula




sexta-feira, 22 de junho de 2012

'Ó Rosa arredonda a saia' ao acordeão



O Jorge, da turma de 2º D, toca acordeão. Eu achei isto por acaso, e lembrei-me dele.

Ó Rosa arredonda a saia é uma canção popular portuguesa. Uma sugestão para quem gostar da música: podiam procurar uma versão cantada.

Ah, reparem na palavra refrão, que evidentemente é um falso amigo. Vocês sabem bem como é que se diz refrão na nossa língua, não é?


Ó ROSA ARREDONDA A SAIA

[Refrão=]

A Ó Rosa, arredonda a saia, E7
Ó Rosa, arredonda-a bem!
Ó Rosa, arredonda a saia, A
Olha a roda que ela tem!

Olha a roda que ela tem,
Olha a roda que ela tinha!
Ó Rosa, arredonda a saia,
Que fique bem redondinha!

[Refrão]

A saia que traz vestida,
É bonita e bem feita,
Não é curta, nem comprida,
Não é larga, nem estreita.

[Refrão]

Fernando Faria (Alternativamente C/G7, D/A7, E/B7)


(Letra da página da Universidade do Minho)



Países pobres? Os de sol e praia

Uma ajuda. O que quer dizer a expressão dar cabo de que usa a letra O? Dar cabo de uma coisa significa acabar com uma coisa, destrui-la. Percebem?




quinta-feira, 21 de junho de 2012

Mais dois desenhos de Paula Maestro




A desenhadora (ou desenhista) e designer gráfica brasileira Paula Maestro já esteve aqui no ano passado e volta com mais dois desenhos. Espero que gostem deles.



Amigo da onça?



Lembram-se da onça do outro dia? Hoje temos mais uma onça no blogue, mas desta vez usada agora numa expressão idiomática.

A expressão amigo da onça é utilizada para referir-se a um amigo falso, hipócrita, também chamado popularmente de “amigo-urso”. A expressão tornou-se bastante popular no Brasil a partir dos anos 40, quando o cartunista Pericles de Andrade Maranhão criou o personagem Amigo da onça a partir de uma piada que ouvira.

Piada original

Dois caçadores dividem uma barraca. Um deles pergunta:
- E se aparecesse uma onça agora?
- Eu dava um tiro nela.
- E se você estivesse sem arma?
- Eu usava o facão.
- E se você estivesse sem facão?
- Eu subia numa árvore.
- E se não tivesse árvore?
- Eu corria.
- E se você estivesse paralisado de medo?
- Pô, você é meu amigo ou amigo da onça?

(Fonte: Wikipédia)





Em Portugal, usa-se a expressão amigos de Peniche para a mesma coisa. Leiam o que nos diz a Wikipédia:

Amigo de Peniche é uma expressão idiomática de Portugal que se refere a um falso amigo - um parceiro desleal que não merece confiança e está apenas interessado em receber às custas de outros sem oferecer nada em troca. É o equivalente da expressão amigo da onça do Brasil, também usada em Portugal.




quarta-feira, 20 de junho de 2012

Hoje acabam as aulas e começam as férias


Hoje, dia 20 de junho acabam as aulas e começam as desejadas férias de verão, as férias grandes.

Depois de amanhã, os vossos pais (encarregados de educação, diriam em Portugal), receberão o boletim de notas na Escola.

Deveria despedir-me de todos vocês e desejar-vos umas belas férias grandes, mas vou adiar (quer dizer, "retrasar") esse momento e vou continuar a publicar até ao dia 28 deste mês algumas leituras, músicas, desenhos... Espero que não deixem de visitar o blogue nos dias que faltam para junho acabar.




Duas meninas mumuilas em Angola


Volta outra vez o fotógrafo Eric Lafforge, que esteve aqui anteontem. Continuamos em Angola, um dos países dos chamados P.A.L.O.P. (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa).

Este blogue é para alunos de português, mas alunos que estudam como língua primeira o inglês. Aprender línguas estrangeiras é muito bom. É por isso que transcrevo as palavras do fotógrafo como ele as escreveu. Deste jeito, podem compreender quem são estas meninas e saber alguma coisa delas. É claro que a vida delas é muito, muito diferente da vossa. Será que elas frequentam a escola? O que é que vocês acham. Pensem um bocadinho nisso.


Those little girls from the Mumuhuila tribe live near Chibia, in the south of Angola. They wear the traditional hairstyle and the big necklace. The necklace shows if they are teens or not. They still are children as the necklace is red. 

On their hair, they wear the traditional hairstyle, made with a mix of trunk, oil and cow dung. It was impossible to make them smile as pausing for a white man was too impressive for them, it was the first time they met tourist. Imagine the face they had when i gave them a polaroid at the end of the session! Those little girls live dressed like that, they were not dressed for me.


Angola no vasto continente africano



terça-feira, 19 de junho de 2012

Dois desenhos de Lisf




Se não me engano, a autora destes desenhos é portuguesa e assina como Lisf.



Um relógio com letras?




"Chamem os números", diz este estranho relógio, porque assim parece que é difícil dizer as horas, não acham?

Como é que diríamos esta? "Já passam das k e b" (kapa e bê)... Quem nos perguntasse as horas, ficaria sem saber, evidentemente.


(Repararam no imperativo, não foi?)