Bairro de Alfama e Rio Tejo em Lisboa

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Bem-vindos ao ano letivo 2012-13


Damos as boas-vindas a todos os alunos do 1º e do 2º ano, é claro, mas especialmente a aqueles do 1º ano, por serem novos na nossa Escola.

Toca a começar mais um ano, começa o ano letivo 2012-13. Apetece um pouco de musiquinha? Águas de março é uma musica maravilhosa composta por Antônio Carlos Jobim, que canta neste vídeo com Elis Regina. Isto é beleza pura, como dizem muito os brasileiros. Reparem na letra e no modo como eles vão cantando.

Ah, e mais uma coisa: O que é isso de "águas de março fechando o verão"? Qual verão? Vejam lá, o Brasil fica no Hemisfério Sul, e é assim: O "verão austral" tem início com o solstício de verão do Hemisfério Sul, que acontece cerca de 21 de Dezembro, e termina com o equinócio de outono, por volta de 20 de Março nesse mesmo hemisfério. 




ÁGUAS DE MARÇO

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol

É peroba do campo, é o nó da madeira
Caingá, candeia, é o Matita Pereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira

É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumueira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira

É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira
É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão

É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto o desgosto, é um pouco sozinho
É um estrepe, é um prego, é uma ponta, é um ponto
É um pingo pingando, é uma conta, é um conto

É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada

É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato, na luz da manhã

São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé

São as águas de março fechando o verão,
É a promessa de vida no teu coração

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre terçã

São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
Pau, pedra, fim, caminho
Resto, toco, pouco, sozinho
Caco, vidro, vida, sol, noite, morte, laço, anzol

São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração.



sábado, 30 de junho de 2012

Um bom mergulho (e livros) para a despedida


Vejam como são curiosas as cores desta fotografia. Em que ano seria tirada? Não sei, mas é pelo menos dos anos cinquenta ou sessenta do passado século! Mostrem aos pais.

É o último dia de junho. Há semana e tal que estão de férias e ainda falta muito para estas acabarem. Aproveitem este tempo e não se esqueçam de ler. Está muito tempo pela frente!





Boas férias de verão, boas férias grandes!



Será que alguém conhece esta canção?

Versão de Sérgio Mendes mais os Black Eyed Peas (2006)


Esta mensagem foi publicada em abril do ano passado no blogue dos vossos colegas mais velhos. Não me resisto a voltar a publicá-la hoje aqui, no último dia de junho. Se nunca ouviram esta música, acho que vão gostar, e gostar mesmo. E reparem: temos três vídeos, a versão original (Jorge Ben), a versão que a fez famosa há muitos anos (Sérgio Mendes) e a versão mais recente (2006) de Sérgio Mendes mais os Black Eyes Peas.

Desfrutem da música!, ou como também se diz: Curtam a música!


De certeza que toda a gente conhece a canção que temos cá em cima, mas eu queria que vocês conhecessem a história de "Mas que nada", que foi cantada pela primeira vez pelo brasileiro Jorge Ben em... 1963!!! Três anos depois, tornou-se imensamente conhecida na versão de Sérgio Mendes. Quarenta anos mais tarde (mais pontinhos de admiração !!!), em 2006, Mendes voltou a gravá-la com o grupo The Black Eyed Peas. Esta é a versão que conhecem, não é?

E nesta mensagem estão as três versões para vocês compararem. Acho que vão ficar com a mais moderna. É lógico.

Para terminar, o que acham do vídeo de Sérgio Mendes & Brasil 66?


Primeiro disco de Jorge Ben, Samba Esquema Novo (1963)
Nele aparecia "Mas que nada"


"Mas que nada" é uma canção composta pelo cantor brasileiro Jorge Ben Jor. Gravada em 1963, para seu primeiro álbum, Samba Esquema Novo, a canção é o primeiro grande sucesso de Jorge Ben (seu nome artístico na época), "Mas Que Nada" também é uma das canções brasileiras mais conhecidas no exterior, particularmente nos Estados Unidos da América, quando foi gravada pelo pianista e compositor brasileiro Sérgio Mendes em versão bossa nova.




Em 2006, Sérgio Mendes regravou a canção junto com os Black Eyed Peas e vocais adicionais por Gracinha Leporace (esposa de Mendes); uma versão que está incluída em seu álbum Timeless (2006). Black Eyed Peas é um grupo de hip hop ganhador do Grammy, formado em Los Angeles, Califórnia, em 1995.







MAS QUE NADA

Oariá raiô
Obá Obá Obá
Mas que nada
Sai da minha frente
Eu quero passar
Pois o samba está animado
O que eu quero é sambar
Este samba
Que é misto de maracatu
É samba de preto velho
Samba de preto tu
Mas que nada
Um samba como esse é tão legal
Você não vai querer
Que ele chegue no final



Esta é a versão cantada por Sérgio Mendes & Brasil 66, que ficou famosa naquele ano.




Cá em baixo temos a versão original, composta e cantada por Jorge Ben, hoje Jorge Ben Jor.





sexta-feira, 29 de junho de 2012

A menina à janela, mais uma vez



Menina, estás à janela: Volta esta bela canção tradicional portuguesa, arranjada e cantada por Vitorino, numa outra versão do próprio cantor alentejano. Vale a pena. Aqui podem ver o vídeo publicado no blogue.

MENINA, ESTÁS À JANELA

Menina, estás à janela
com o teu cabelo à lua,
não me vou daqui embora
sem levar uma prenda tua.

Sem levar uma prenda tua,
sem levar uma prenda dela,
com o teu cabelo à lua,
menina, estás à janela.

Os olhos requerem olhos,
e os corações, corações;
e os meus requerem os teus
em todas as ocasiões.

Menina, estás à janela
com o teu cabelo à lua,
não me vou daqui embora
sem levar uma prenda tua.

Sem levar uma prenda tua,
sem levar uma prenda dela,
com o teu cabelo à lua,
menina, estás à janela.







Numa rua de Setúbal


Jorge Dragón tirou esta fotografia num passeio da cidade portuguesa de Setúbal, que fica perto de Lisboa.

De certeza, alguns de vocês já terão estado em Setubal... Reparem como é que se escreve em português a palavra tesouro: ou pronuncia-se como um o fechado e o s, em posição intervocálica, realiza-se como uma fricativa predorso-alveolar sonora [z]. Pensem em palavras como casa, ilusão, mesa, etc. É o mesmo som.


quinta-feira, 28 de junho de 2012

O que diz o rato? (A. M. Pires Cabral)



O QUE DIZ O RATO

Tenho um destino. Nasci
para roer o silêncio – e vou roê-lo
metodicamente

até que um dia se invertam os papéis
e seja o silêncio a roer-me a mim.

A. M. Pires Cabral


Até à vista (Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada)

 Ilustração de Jorge Miguel


Espero que gostem desta fábula da cegonha e da tartaruga:


Até à vista!

– Vou partir para as terras quentes do Sul – declarou a cegonha com visível orgulho. – Desde que anunciaram tempos difíceis, não penso noutra coisa.
– Quem é que anunciou tempos difíceis? – perguntou a tartaruga com um bocejo.
– O boletim meteorológico. Falaram de vento, chuva, frio, enfim, só de coisas desagradáveis. E eu, sempre que posso, fujo do que me aborrece.
– Foges?
– Bom, é uma força de expressão. Sabes que aproveito todos os pretextos para uma viagenzinha.
Certa de que despertaria inveja, a cegonha pôs-se a descrever as delícias de que desfrutava nas suas viagens:
– Oh! Levantar voo, bater as asas, lançar-me à aventura! Hoje uma terra, amanhã outra... tu sabes lá o que se encontra por esse mundo fora. Há cada animal! – Imagino – respondeu a tartaruga.
– Não imaginas, não. Ora diz-me, consegues fazer passar pela tua cabeça uma manada de bichos que parecem pacíficos e de trato fácil, mas que afinal são indomáveis e nunca nada, nem ninguém conseguiu domesticar?
– Nada mais simples, são zebras.
Um pouco desconsolada, a cegonha insistiu:
– E um mastronço de pele dura como sola, míope, neurótico e com um corno só?
– Nada mais fácil. É o rinoceronte.
A cegonha já estava a ficar irritadíssima e pensava:
- Então eu que tenho asas, eu é que viajo, eu é que convivo com seres exóticos e esta estúpida da tartaruga, que nunca saiu da praia, sabe tanto como eu? Não pode ser . tenho de arranjar maneira de a surpreender ou mesmo de a embaraçar!
Cheia de más intenções, perguntou de novo:
– Já viste uns pássaros coloridos que falam, falam, mas não dizem nada, porque se limitam a repetir o que outros já disseram?
Pachorrenta como é de seu natural, a tartaruga abanou a cabeça, encolheu-se na casca, voltou a esticar-se. Parecia ter pouca vontade de responder.
– Então? Perdeste a língua? Se calhar nunca encontraste nenhum destes pássaros.
– Ó filha, o que mais há por aí são papagaios.
Quase enraivecida, a cegonha começou a falar como uma matraca:
– E os bichos que carregam os filhotes numa bolsa até eles serem bem grandes? E as aves que põem os ovos nos ninhos alheios, porque não estão para se maçar a tratar das crias? E os grupos que  guincham com voz esganiçada, pouco se importando se incomodam ou não as pessoas? Conheces?
– Cangurus, cucos e macacos – foi a resposta seca.
A cegonha calou-se, descorçoada. E mais descorçoada ficou quando a tartaruga resolveu por sua vez fazer perguntas.
– Então agora diz-me cá tu que viajas tanto. Qual é a ave mais rápida do mundo?
A cegonha engoliu em seco, porque se cruzara com todas as espécies, mas nunca lhe ocorrera averiguar a que velocidades se deslocavam.
– Tolices – resmungou. – Querias que eu andasse a cronometrar os voos de cada um? Tenho mais que fazer!
– Bom, então diz-me onde é que os caracóis têm os olhos.
– Os caracóis? Sei lá! São tão pequenos que nunca me despertaram qualquer interesse. Gosto de animais grandes, porque só os grandes têm importância neste mundo.
- Muito bem. Nesse caso, suponho que sejas íntima do lobo cinzento da América. A cegonha ficou radiante:
- Claro! É um grande amigo meu. Ainda há tempos estivemos juntos num jantar. Disfarçando um sorrisinho irónico, a tartaruga inquiriu com ar ingénuo:
- De que é que ele se alimenta?
- Ãa… do mesmo que os outros, com certeza. Não reparei, porque é falta de educação reparar no que as pessoas comem…
A conversa tomara, afinal, o rumo inverso do que a cegonha pretendia. Tanto quisera deslumbrar a tartaruga com os seus conhecimentos e acabara fazendo uma triste figura. A outra sabia muito mais do que ela! Isso irritava-a, mas também a enchia de curiosidade. Como é que, sem sair de casa, uma pessoa podia andar tão bem informada? Não resistiu a perguntar. A tartaruga riu-se.
– Como é que eu estou bem informada? É muito simples, cara amiga…
– Então explica.
– Não explico. Vem comigo e verás com os teus próprios olhos. Segue-me!
Lá foram então as duas, uma pela água e outra pelo ar.
Depressa chegaram ao destino: uma gruta simpática, coberta de algas por fora e muito bem arranjada por dentro. Areia fofa, conchas, búzios e livros. Livros a não acabar mais! Uns de capa dura, outros de capa mole, com desenhos maravilhosos ou quase sem desenhos nenhuns, pequenos, médios, grandes, finos, grossos, delicados, resistentes, mínimos e descomunais!
– O segredo está aqui, não me desloco, mas viajo pelos caminhos da leitura. Só preciso de óculos, e de imaginação!
A cegonha estava encantada. Folheou ao acaso e, sem grande esforço, descobriu logo pormenores deliciosos nas legendas das figuras.
- Que engraçado! Diz aqui que a ave mais rápida do mundo é o falcão-peregrino. Não fazia a mínima ideia que ele podia atingir 300 quilómetros por hora!
-E se reparares nas outras imagens, ficas a saber que o caracol tem olhos nas antenas e que o lobo cinzento da América come alces, coiotes e coelhos, aos oito quilos de cada vez.
- Que giro!
- Pois é! Divirto-me muito sem sair desta gruta. Como não tenho asas e a carapaça pesa bastante, ainda não me surgiu uma boa oportunidade para viajar. Mas um dia hei de partir e nessa altura, estarei preparada para ver o mundo com os olhos abertos.
- Se eu tivesse forças, levava-te comigo- disse a cegonha, num tom bem mais amistoso. – Deves ser a melhor das companheiras! Mas, já que é impossível, no regresso, passo por cá. Gostaria de dar uma olhada nos teus livros. Pode ser?
- Podes, Claro. Aparece que tenho aí muitos jornais e revistas com histórias e informações sobre terras longínquas.
- Combinado tartaruga. Logo que o tempo melhore, volto. Está Bem?
- Está. Fico à tua Espera.
- Até à vista, amiga!
- Até à vista!

Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada


quarta-feira, 27 de junho de 2012

Uma bela bola de sabão pelo ar

Fotografia de Luís Leal Pinto

O meu amigo Luís tirou esta fotografia. Onde? A paisagem é extremenha, lá por terras de Valencia de Alcántara, muito perto da fronteira com Portugal. É possível que seguindo por esse caminho, sabe-se lá, os nossos passos terminem num rio que faz fronteira entre Espanha e Portugal, o rio Sever.  E se não for assim, as terras portuguesas estarão aí, tão perto dos nossos olhos. Vamos tomar banho no rio Sever?




Uma gárgula da igreja do Carmo


Nesta fotografia de Dobraszczyk vemos uma gárgula da igreja do Carmo em Lisboa, que sofreu graves danos aquando do grande terramoto de 1755.


terça-feira, 26 de junho de 2012

Minha namorada (Maria Creuza e Vinicius de Moraes)



O Brasil é tão, tão grande, e há tanta música nele! Hoje temos uma bonita canção. Quem é que a compôs? O poeta brasileiro Vinicius de Moraes escreveu a letra e Carlos Lyra, a música. 

Ouvimos cantar Maria Creuza e o autor da letra, Vinicius de Moraes.

Nota. Reparem que você no Brasil é como tu em Portugal. Lembrem-se disto sempre que ouvirem uma canção brasileira. Os amigos tratam-se por você no Brasil, enquanto em Portugal o fazem por tu. Neste caso,aliás, no verso "uma cartinhazinha de você" devem pensar em "uma cartinhazinha de ti (ou tua)"


MINHA NAMORADA

Meu poeta eu hoje estou contente
Todo mundo de repente
Fica olhando, fica olhando
Eu hoje estou me rindo
Nem eu mesma sei de quê
Porque eu recebi
Uma cartinhazinha de você

Se você quer ser minha namorada
Ah! Que linda namorada
Você poderia ser
Se quiser ser somente minha
Exatamente essa coisinha
Essa coisa toda minha
Que ninguém mais pode ser
Você tem que me fazer um juramento
De só ter um pensamento
Ser só minha até morrer
E também de não perder esse jeitinho
De falar devagarinho
Essas estórias de você
E de repente
Me fazer muito carinho
E chorar bem de mansinho
Sem ninguém saber porquê

Mas se mais do que minha namorada
Você quer ser minha amada
Minha amada, mas amada prá valer
Aquela amada pelo amor predestinada
Sem a qual a vida é nada
Sem a qual se quer morrer
Você tem que vir comigo em meu caminho
E, talvez, o meu caminho
Seja triste prá você
Os seus olhos têm que ser só dos meus olhos
E os seus braços, o meu ninho
No silêncio de depois
E você tem que ser a estrela derradeira
Minha amiga e companheira
No infinito de nós dois