Bairro de Alfama e Rio Tejo em Lisboa

quinta-feira, 31 de março de 2011

Os guardas do rei

Fotografia de Emílio Moitas

Um rei resolve enviar ao seu pomar um cego e um coxo para vigiar suas figueiras. No dia seguinte ficou sabendo que tinham desaparecido os melhores frutos. Furioso, convoca os dois guardas à sala do trono para depor.
- Não sei, Majestade, o que aconteceu – afirma um.
- Eu também – disse o outro.
- Então vocês comeram os figos – insiste o Rei.
O coxo adianta um passo, afirmando:
- Não!... Não, Majestade!... Como poderia apanhar os figos se não posso subir em árvores?
O cego também se justifica:
- Muito menos eu. Falta-me a visão, Majestade.
Depois de investigar um pouco mais, o cego confessa que os dois apanharam e comeram os frutos.
- Como se deu isso? – interroga o Rei.
O cego explica:
- Simples, Majestade. Tomei o coxo no colo, que me orientou os passos até as árvores com sua visão.
Os dois foram castigados.



quarta-feira, 30 de março de 2011

Os teus dedos, your fingers



Vamos ver os nomes dos dedos em português e, de passagem, em inglês (alguns deles vocês conhecem).

little finger: o mínimo, o mendinho, o auricular
ring finger: o anular
middle finger: o médio
index finger: o indicador, o índex
thumb: o polegar

Esta é a lengalenga dos dedos da mão (o indicador da mão direita vai indicando cada um dos dedos da mão esquerda, a começar no mínimo)

Dedo mendinho, (o auricular)
seu vizinho, (o anular)
pai de todos, (o médio)
fura-bolos, (o indicador)
mata-piolhos. (o polegar)

E este é o diálogo dos dedos:

Dedo mendinho quer pão, (o auricular)
o vizinho diz que não, (o anular)
o pai diz que dará, (o médio)
este que furtará, (o indicador)
e este diz: alto lá! (o polegar)

Se calhar, lembram-se de alguma coisa parecida com isto que vos diziam ou cantarolavam o pai ou a mãe quando vocês eram bem mais pequenos do que agora:

Este menino um ovo achou,
este o assou,
este sal lhe deitou,
este o provou,
este o papou.


terça-feira, 29 de março de 2011

"dos" não é 2 em português



Pois é, este é o número 2, dois, em português e não "dos"; isso é em espanhol. Mas os portugueses dizem dois, o número dois, dois cadernos, dois rapazes, e curiosamente, já sabem, têm um 2 feminino: duas, para dizer 2 cidades, 2 pastas, 2 mulheres, 2 irmãs, etc. Ja vimos isso na sala de aula e aqui, no blogue, "Dois e duas" (podem clicar aí para ler outra vez).

Não há "dos" como número em português. Existe a palavra dos, mas é outra coisa. Quando se juntam a preposição de e o artigo os, convertem-se na palavra dos (uma contração), que significa 'de los'. 

Por exemplo:

Os amigos dos irmãos (= "Los amigos de los hermanos")

O melhor dos dois mundos (="Lo mejor de los dos mundos")



segunda-feira, 28 de março de 2011

Castelo de Vide

Fotografia de Rui Pereira


Fotografia de Rui Mora


Castelo de Vide é uma vila portuguesa no Distrito de Portalegre, região do Alentejo e sub-região do Alto Alentejo.



quarta-feira, 23 de março de 2011

Dois desenhos de Luda

Autorretrato



A ilustradora que dá pelo nome de  Luda nasceu na capital do Brasil, Brasília, mas mora em São Paulo.






terça-feira, 22 de março de 2011

22 de Março: Dia Mundial da Água


Dia Mundial da Água. A pegada hídrica aumentou no planeta
Hoje celebra-se o recurso água. Portugal está entre os países que mais água gastam por habitante


É assim, meninos e meninas. A água é muito barata e é por isso que não apreciamos o seu valor. Além disso, enquanto uns, como nós, abrimos a torneira, e a água sai todo o tempo que quisermos, há muitos milhões de pessoas no mundo que não têm água potável para beber. O nosso país gasta também muita água.

É preciso poupar água.

Nota. Essa palavra tão curiosa para nós, poupar, quer dizer ahorrar. Então, vamos poupar água? É bom para todos e para a natureza, sem cuja ajuda não poderíamos viver, e estamos a matá-la.

Ilustração de Beto


segunda-feira, 21 de março de 2011

Lágrima de preta (António Gedeão)



O poeta português António Gedeão escreveu este poema em que nos fala de como todos os seres humanos são iguais, independentemente da cor da pele. Ainda por cima, ouvimos os versos cantados, temos uma canção.  Mas antes disso, lemos primeiro com muita atenção o que escreveu António Gedeão e pensamos no significado dessas palavras.

Ah, esquecia-me... Hoje, 21 de Março, é o Dia Mundial da Poesia.


Lágrima de preta

Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:

Nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.


António Gedeão






"Nenhuma boa história se gasta..."


Achei esta frase num blogue. Acho que todos concordarão com o que nela se diz.

Nenhuma boa história se gasta, por muitas vezes que se conte...



quinta-feira, 17 de março de 2011

A roupa é a nossa segunda pele


O título desta fotografia é A roupa é a nossa segunda pele. O autor assina como Shapeless. É um pseudónimo, claro, ainda por cima em inglês. Não sabemos se o autor é um homem ou uma mulher, um rapaz ou uma rapariga; e também não sabemos se é português ou brasileiro, ou... sei lá.



quarta-feira, 16 de março de 2011

-Bom apetite. -São servidos?


Em espanhol dizemos "¿Si gustan?" a alguém que nos diz "Que aproveche" quando estamos  a comer.  Em português é assim:

Diz-se Bom apetite e responde-se São servidos?

O que acham destes pratos? Gostavam de experimentar?





Fotografias de Sakurako Kitsa (vistas no blogue obvious)


terça-feira, 15 de março de 2011

O Juan e o piano


Acho que dos alunos que estudam música da turma do 1º D só faltava o Juan... Ele está a aprender piano. É um instrumento muito difícil, não é, Juan? Esperamos que um dia possamos ouvir-te a tocá-lo.

Para ele vai este vídeo da grande pianista portuguesa Maria João Pires, intérprete de Bach, Mozart, Schubert... Se calhar ele é ainda muito novo para a conhecer, mas esse dia há-de chegar. É pena ela falar aqui em inglês e não em português, mas deste modo, pode praticar essa língua. Ó Juan, são bons os conselhos desta pianista? Repara nas suas mãos e como ela toca!




sexta-feira, 11 de março de 2011

Guloseimas partilhadas (António Manuel Couto Viana)

Duas fatias de um bolo de maçã com gengibre

Guloseimas partilhadas

Uma fatia de bolo para mim,
uma fatia de bolo para ti.

Um chocolate com creme para ti,
um chocolate com creme para mim.

–Sim, é assim
que a Lili
partilha com o irmãozito
as guloseimas que tem.
Não acham isto bonito?
Eu cá, acho muito bem.


António Manuel Couto Viana


Pouca terra, pouca terra, pouca terra...


Sabem o que é uma onomatopéia? Claro que sim. Quem é que vai dizer-me qual a onomatopéia espanhola equivalente de...

 Pouca terra, pouca terra, pouca terra...

Mais algumas onomatopéias:

Dim Dong!!! - Imita o som de uma campainha;
Toc Toc!!! - Imita o som de uma batida na porta;
Atchim!!! - Imita o som de uma pessoa espirrando;
Bummmmmmm!!! - Imita o som de uma bomba;
Buáááá!!! – Imita o som de um choro;
Nhac!!! – Imita o som de uma mordida;




segunda-feira, 7 de março de 2011

Carnaval em Natal, Rio Grande do Norte

Fotografia de Fábio Corte Real

Flagrantes cores do Carnaval brasileiro. Bonecos gigantes. Carnaval em Natal, capital do estado de Rio Grande do Norte.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Torres Vedras: O Carnaval mais português de Portugal


Do carnaval da cidade de Torres Vedras diz-se que é "o Carnaval mais português de Portugal", porque há outros que imitam os carnavais brasileiros. Aliás, é muito antigo.

A primeira referência ao Carnaval de Torres data do tempo de D. Sebastião, num documento datado de 1574, no qual um morador da Vila de Torres Vedras apresenta uma queixa contra “ns moços folgando com um galo dia de Entrudo trazendo rodelas, espadas, paus como custumam o tal dia”.


O Corso Escolar inaugura tradicionalmente o Carnaval de Torres.

Foi nos anos 90, numa forma de trazer para a rua o que era feito nas escolas, que se iniciou a tradição do Corso Escolar na manhã de sexta-feira.

No Corso participam milhares de crianças, oriundas de todas as freguesias do concelho, em representação das escolas (creches, jardins de infância, escolas do ensino básico e do secundário).

A participação dos alunos revela uma grande criatividade, sobretudo pela utilização de materiais recicláveis na concepção das máscaras.

Este é um espectáculo que pinta as ruas de Torres Vedras, deixa uma grande alegria na cidade e que envolve, para além das crianças e jovens, todos os pais e a comunidade educativa.

Com a iniciativa procura-se fomentar a participação activa dos mais jovens, cultivando o seu gosto por esta tradição e garantindo a continuidade deste projecto que se afirma, já, como parte estruturante do Carnaval de Torres. 

(Dados da página do Carnaval de Torres Vedras)


Torres Vedras é uma cidade portuguesa no Distrito de Lisboa,
com cerca de 22.600 habitantes.

A banda (Chico Buarque)


Como é linda esta canção, A banda, composta e cantada pelo cantor brasileiro Chico Buarque. Fica bem para estes dias de Carnaval, não fica?

A BANDA

Estava à toa na vida
O meu amor me chamou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor

A minha gente sofrida
Despediu-se da dor
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor

O homem sério que contava dinheiro parou
O faroleiro que contava vantagem parou
A namorada que contava as estrelas parou
Para ver, ouvir e dar passagem

A moça triste que vivia calada sorriu
A rosa triste que vivia fechada se abriu
E a meninada toda se assanhou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor

Estava à toa na vida
O meu amor me chamou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor

A minha gente sofrida
Despediu-se da dor
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor

O velho fraco se esqueceu do cansaço e pensou
Que ainda era moço pra sair no terraço e dançou
A moça feia debruçou na janela
Pensando que a banda tocava pra ela

A marcha alegre se espalhou na avenida e insistiu
A lua cheia que vivia escondida surgiu
Minha cidade toda se enfeitou
Pra ver a banda passar cantando coisas de amor

Mas para meu desencanto
O que era doce acabou
Tudo tomou seu lugar
Depois que a banda passou

E cada qual no seu canto
Em cada canto uma dor
Depois da banda passar
Cantando coisas de amor

Depois da banda passar
Cantando coisas de amor...


 Fotografia de Michelle Gomes


Pêndulo (E. M. de Melo e Castro)


Título: Pêndulo. Autor: E. M. de Melo e Castro, engenheiro, escritor, poeta experimental, critico, ensaísta, artista plástico português.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Uma joaninha na língua

Fotografia de Júlia Moraes

Joaninha é um diminutivo do nome Joana, e é o nome que recebe esse bichinho ("nome popular dos insectos coleópteros da família Coccinellidae") que não sei se vocês já viram alguma vez no campo porque, coitado, a poluição e o nosso modo de vida está a acabar com eles.

E o que é que tem este menino brasileiro na língua? Pois é, uma joaninha! Qual é o nome na nossa língua? É também outro diminutivo de um nome, não sei se repararam.

É claro que essa joaninha do menino partiria depois a voar...


 Uma joaninha num malmequer


quarta-feira, 2 de março de 2011

A letra `ñ' não existe em português


Uma chamada de atenção aos alunos que ainda escrevem a letra ñ: por exemplo a miña casa em vez de a minha casa. Reparem, esta letra não existe em português, só em espanhol.

O som existe, sim, mas há duas letras para o representar: nh (ene agá).

Espanha, espanhol, espanhola, canhão, estranho, ganhar, joaninha, linho, minha, ninho, pinheiro, etc.

Façam o favor de reler esta mensagem: Mais uma vez: 'nh' tem o som de ñ


terça-feira, 1 de março de 2011

Dentes de rato (Agustina Bessa-Luís)



Lourença tinha três irmãos. Todos aprendiam a fazer habili­dades como cãezinhos, e tocavam guitarra ou dançavam em pontas dos pés. Ela não. Era até um bocado infeliz para aprender, e admirava-se de que lhe quisessem ensinar tantas coisas aborreci­das e que ela tinha de esquecer o mais depressa possível. O que mais gostava de fazer era comer maçãs e deitar-se para dormir. Mas não dormia. Fechava os olhos e acontecia-lhe então uma aven­tura bonita e conhecia gente maravilhosa. Eram as pessoas que ela via no cinema ou que ela já tinha encontrado em qualquer parte, mas que não sabia quem eram. Não gostava de ninguém que se pusesse entre ela e a imaginação, como um muro, e a não deixasse ver as coisas de maneira diferente. Não gostava que lhe tocassem e, sobretudo, que a gente grande pesasse com a grande mão em cima da sua cabeça. Apetecia-lhe morder-lhes e fugir depressa. Mas não fazia nada disso. Ficava quieta e olhava para a frente dela, cheia de seriedade. Isto tinha o efeito de causar estranheza, e diziam sempre que ela era uma menina obediente e sossegada. Mas retiravam a mão. Tinham-lhe posto o nome de «dentes de rato», porque os dentes dela eram pequenos e finos, e pela mania que ela tinha de morder a fruta que estava na fru­teira e deixar lá os dentes marcados.

— Já aqui andou a «dentes de rato» — diziam os da casa, escandalizados. Viravam e reviravam as maçãs, e em todas havia duas dentadinhas já secas e onde a pele mirrara. Era uma mania que ninguém podia explicar.


Este é um excerto de Dentes de Rato, um conto da escritora portuguesa Agustina Bessa-Luís