Bairro de Alfama e Rio Tejo em Lisboa

segunda-feira, 21 de março de 2011

Lágrima de preta (António Gedeão)



O poeta português António Gedeão escreveu este poema em que nos fala de como todos os seres humanos são iguais, independentemente da cor da pele. Ainda por cima, ouvimos os versos cantados, temos uma canção.  Mas antes disso, lemos primeiro com muita atenção o que escreveu António Gedeão e pensamos no significado dessas palavras.

Ah, esquecia-me... Hoje, 21 de Março, é o Dia Mundial da Poesia.


Lágrima de preta

Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:

Nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.


António Gedeão