Bairro de Alfama e Rio Tejo em Lisboa

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Azul ar (Alexandre O'Neill)

Fotografía de Rosa Pomar


AZUL AR

azul mais azul que todo o azul do mar
azul mais azul que todo o azul do mundo
que azul tão azul tinha
ali o azul do céu
para onde azulou o passarinho meu

Alexandre O´Neill



Pulando corda


"Meninas pulando corda na localidade conhecida como Azul, na favela do Jacarezinho, no Rio de Janeiro."

A fotografia é de Léo Lima.




Umas palavras e algumas obras de Ivan Cruz


"O artista plástico Ivan Cruz nasceu em 1947, no Rio de Janeiro, e mudou-se para Cabo Frio em 1978. Formado pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ele organizou, em 1990, a mostra com a temática que se tornou sua assinatura: as brincadeiras de infância. Ivan Cruz já reproduziu em seus quadros em acrílico e cores vivas mais de cem jogos infantis (...)".









terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Revisão dos interrogativos





"Não vales pelo que tens, vales pelo que dás"





Madassa – o menino que não conseguia aprender a ler (Michel Séonnet)

Fotografia de José Carlos Costa

Madassa – o menino que não conseguia aprender a ler

Madassa

Madassa não sabia ler nem escrever.
Madassa tinha a idade que as crianças têm quando sabem ler e escrever.
Mas Madassa não sabia ler nem escrever.

Na cabeça de Madassa não havia lugar para palavras.
Na cabeça de Madassa habitava apenas o medo, escuro e negro, causado pelos barulhos da guerra, e pelos mortos, muitos mortos.

Na cabeça de Madassa vivia uma raiva imensa cheia de porquês.
Como se as perguntas fossem garras dilacerantes.
Na cabeça de Madassa pairava um nevoeiro de tristeza.
Tão espesso que ele não conseguia lembrar-se sequer da cara do irmão ou da irmã, cujo paradeiro ninguém conhecia.

Havia dias em que, na cabeça de Madassa morava a mesma fome que lhe enchia o ventre. A negrura do medo, as garras da raiva, o nevoeiro da tristeza – e, em certos dias, a fome – ocupavam toda a cabeça de Madassa.
Na cabeça de Madassa não havia lugar para as palavras.

A professora já não sabia o que fazer para ajudar Madassa.
Quanto tinha tempo, lia-lhe histórias que ele sozinho não conseguia ler.
Lia-lhe a história do Pequeno Polegar, que tivera tanto medo na floresta.
E o medo do Polegarzinho passeava pela cabeça de Madassa.
Lia-lhe a história de Martinho , que estava sempre irritado.
E a irritação do rapaz era igual à que existia na cabeça de Madassa.
Lia-lhe a história da Menina dos Fósforos.
E a tristeza da Menina chorava na cabeça de Madassa.
A professora contava-lhe também a história de Pedro e a Lua, do menino que queria fazer florir a terra inteira com plumas de pássaro.
E as plumas dançavam na cabeça de Madassa.

E, entretanto, o que acontecia na cabeça de Madassa?
O medo do Polegarzinho deixava palavras para exprimir o medo.
A cólera de Martinho deixava palavras para exprimir a cólera.
A tristeza da Menina dos Fósforos deixava palavras para exprimir a tristeza.
A dança das palavras de Pedro e a Lua deixava palavras que davam vontade de dançar.

Certa manhã, as palavras, fortemente agitadas, não quiseram ficar na cabeça de Madassa.
Então, o menino pegou num caderno, numa caneta, e, embora desajeitadamente, como uma criança que aprende a andar, escreveu:

Madassa medo
Madassa cólera
Madassa tristeza

Madassa por entre as ervas
Madassa ao vento
Madassa na água

Madassa cinzento preto azul
Madassa vermelho amarelo preto
Madassa cinzento amarelo verde

Madassa galo tigre
Madassa sol

─ Um poema! ─ exclamou a professora. ─ Escreveste um poema!

Então escrever é isto!
Pegar nas palavras das histórias e transformá-las nas palavras de Madassa.
Mas é preciso ler muitas histórias para ter muitas palavras.

Madassa começou a ler.
E a escrever também.
Quanto mais lia, mais escrevia.
Quanto mais escrevia, mais vontade tinha de ler.
Era um círculo mágico.

Madassa não sabia ler nem escrever.
Mas enchia agora cadernos e mais cadernos.
Talvez um dia escrevesse um livro.

Madassa escritor.


Michel Séonnet
Madassa
Paris, Ed. Sarcabane, 2003
(Tradução e adaptação)


(Lido em Contadores de histórias)




O que é um dossiê?


Dossiê

3. pasta, arquivador



E já agora, um bloco?

2. caderno de folhas destacáveis.






segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Sumaúma (Aline Frazão)


Vejam e ouçam como canta Aline Frazão, que nasceu em Luanda, a capital de Angola, em 1988.


SUMAÚMA

Irmã de causa e de casa
Do raso voo de uma asa
Do riso bom de uma dança
Dos olhos dessa criança

És manhã, és sumaúma
A mãe de todas as plantas
A canção que a paz reclama
A voz maior, quando cantas

Diz-me o que vês lá do alto
Olhos de ver sempre longe
Braços de estar sempre perto
Dona do caminho certo

Eu seguirei o teu passo
Marcharei às Heroínas
Escutarei teu cansaço
E cuidarei tuas esquinas

Eu juntarei teus pedaços
Quando lhes perderes vista
Farei minhas tuas mágoas
E tuas minhas conquistas

És manhã, és sumaúma
A mãe de todas as plantas
A canção que a paz reclama
A voz maior, quando cantas




A palavra sumaúma, na Infopédia:

1. BOTÂNICA (Ceiba pentandra) árvore de grande porte, nativa da América e de África, da família das Bombáceas, tem tronco robusto, raízes tubulares, flores campanuladas brancas e sementes envoltas em filamentos sedosos (paina); árvore-da-lã.

2. pelos que envolvem as sementes dessa árvore, os quais constituem um algodão aproveitado para acolchoamento.



"A samaúma, também conhecida como sumaúma e algodoeiro é a maior árvore da Amazônia e uma das maiores do mundo. Chega a ter 60 metros de altura e 40 metros" (Iguiecologia)




Uma ilustração de Bruno Aziz





Bruno Aziz, "Literatura de Terror...Ilustra para o Caderno 2 do Jornal A Tarde"


Sabem todos quem foi Ariadne?


Uma aluna da turma de 1º A chama-se Ariadna. Sabem todos os colegas quem foi Ariadne, que é como se diz em português, e o que significa? E o que é o fio de Ariadne? Vamos lá ver.


Ariadne: Significa "muito casta", "a mais pura", "puríssima" ou "a mais sagrada".

Tem origem no nome grego Ariadne, da palavra grega ádne, que significa "casta, pura", e da partícula ari, que no grego funciona como superlativo, equivalente a "muito" ou ao sufixo -íssima, e significa "muito casta, a mais pura, puríssima, a mais sagrada".

Ariadne é a filha do rei Minos, na mitologia grega, e segundo a lenda, ela ajudou Teseu a escapar do labirinto após matar o Minotauro.

Os nomes Ariana ou Ariane são as variantes mais comuns de Ariadne, que equivale em significado aos nomes Agnes e Catarina.

(Fonte: significadodosnomespropios.br)


Significado de fio de Ariadne:

A expressão vem da mitologia grega, e faz referência ao fio que Teseu recebeu de Ariadne para escapar do labirinto após vencer o Minotauro. É o mesmo que uma ligação, um fio condutor que auxilia a sair de determinada situação problemática ou a concluir um raciocínio.


Teseu e o Minotauro (Fotografia de Sebastià Giralt)