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terça-feira, 15 de março de 2016

Folar da Páscoa, a atualidade e a lenda


O folar é tradicionalmente o pão da Páscoa em Portugal, confecionado na base da água, sal, ovos e farinha de trigo. A forma, o conteúdo e a confecção varia conforme as regiões de Portugal e vai desde o salgado ao doce, nas mais diversas formas. Nalgumas receitas é encimado por um ovo cozido com casca.(Wikipédia)
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Simbolicamente, o «folar» continua a representar o presente dos padrinhos aos afilhados, impondo-se como preceito irem estes recebê-lo a casa daqueles no domingo de Páscoa («ir pedir o bolo»). Praxe precedida pela oferta de um ramo de flores, ou amêndoas, dos afilhados aos padrinhos no domingo de Ramos.

Com o decorrer do tempo, a palavra «folar» deixou de pertencer ao seu primitivo significado, isto é, ao bolo cerimonial da quadra pascal, para passar a designar o presente de Páscoa dos padrinhos, expresso por qualquer objecto, roupas, amêndoas ou dinheiro.

Substituído, embora, por outros presentes, a obrigação da oferta do «folar» cessa depois da maioridade ou do casamento dos afilhados. Neste caso, o ritual obriga (ou obrigava) a que os afilhados no dia seguinte ao do casamento, levem aos padrinhos a «fatia» (uma fatia de bolo de noz, de chocolate, pão-de-ló ou outro), enquanto os padrinhos oferecem aos afilhados um último «folar» na Páscoa a seguir à boda. Este procedimento continua a verificar-se em muitas localidades do nosso país.



Trechos retirados do blogue Sarrabal: "Páscoa - Padrinhos e afilhados"


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LENDA DO FOLAR DA PÁSCOA

A lenda do folar da Páscoa é tão antiga que se desconhece a sua data de origem.

Reza a lenda que, numa aldeia portuguesa, vivia uma jovem chamada Mariana que tinha como único desejo na vida o de casar cedo. Tanto rezou a Santa Catarina que a sua vontade se realizou e logo lhe surgiram dois pretendentes: um fidalgo rico e um lavrador pobre, ambos jovens e belos. A jovem voltou a pedir ajuda a Santa Catarina para fazer a escolha certa.

Enquanto estava concentrada na sua oração, bateu à porta Amaro, o lavrador pobre, a pedir-lhe uma resposta e marcando-lhe como data limite o Domingo de Ramos. Passado pouco tempo, naquele mesmo dia, apareceu o fidalgo a pedir-lhe também uma decisão. Mariana não sabia o que fazer.

Chegado o Domingo de Ramos, uma vizinha foi muito aflita avisar Mariana que o fidalgo e o lavrador se tinham encontrado a caminho da sua casa e que, naquele momento, travavam uma luta de morte. Mariana correu até ao lugar onde os dois se defrontavam e foi então que, depois de pedir ajuda a Santa Catarina, Mariana soltou o nome de Amaro, o lavrador pobre.

Na véspera do Domingo de Páscoa, Mariana andava atormentada, porque lhe tinham dito que o fidalgo apareceria no dia do casamento para matar Amaro. Mariana rezou a Santa Catarina e a imagem da Santa, ao que parece, sorriu-lhe. No dia seguinte, Mariana foi pôr flores no altar da Santa e, quando chegou a casa, verificou que, em cima da mesa, estava um grande bolo com ovos inteiros, rodeado de flores, as mesmas que Mariana tinha posto no altar. Correu para casa de Amaro, mas encontrou-o no caminho e este contou-lhe que também tinha recebido um bolo semelhante. Pensando ter sido ideia do fidalgo, dirigiram-se a sua casa para lhe agradecer, mas este também tinha recebido o mesmo tipo de bolo. Mariana ficou convencida de que tudo tinha sido obra de Santa Catarina.

Inicialmente chamado de folore, o bolo veio, com o tempo, a ficar conhecido como folar e tornou-se numa tradição que celebra a amizade e a reconciliação. Durante as festividades cristãs da Páscoa, os afilhados costumam levar, no Domingo de Ramos, um ramo de violetas à madrinha de batismo e esta, no Domingo de Páscoa, oferece-lhe em retribuição um folar.

(Fonte: Infopédia)