Bairro de Alfama e Rio Tejo em Lisboa

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Os três estudantes e o soldado

 Um paio de carne de porco


Era uma vez três estudantes, que iam para casa das famílias passar as férias. Seguiam pelo mesmo caminho e encontrando um lobo morto disse um deles: “Aquele que fizer o verso mais bem feito a este lobo, come o jantar sem pagar”.

– Está dito! – responderam os outros dois, e um deles começou:

Este lobo, quando no mundo andou,
quanto comeu, nada pagou.

Disse o outro estudante:

Este lobo, quando era vivo,
tudo comeu cru e nada cozido.

O terceiro respondeu:

Este lobo, quando dormiu a sesta,
nunca dormiu uma como esta.

Depois de dizerem os versos começaram a discutir, porque todos três queriam que o seu fosse o melhor.

Nisto passou um soldado, e eles chamaram-no dizendo-lhe: “Olá, camarada! Há-de dizer-nos qual dos versos é melhor, para sabermos qual de nós há-de comer o jantar sem pagar”, e repetiram os versos. Depois de acabarem, disse o soldado: “Estão todos muito bem feitos. Paguem os senhores todos três o jantar e comamo-lo todos quatro”. “Pois sim!” disseram os estudantes, mas zangados por se verem logrados por um soldado, combinaram entre si que haviam de zombar dele. Chegaram a uma hospedaria e mandaram fazer jantar para todos quatro, mas em particular disseram à dona da hospedaria, que cozesse um paio e o pusesse na mesa partido em três partes iguais. Depois disto sentaram-se todos quatro à mesa, e um dos estudantes espetou o garfo num dos bocados do paio e disse:

Em nome do Padre...
este me cabe!

O segundo fez o mesmo, dizendo:

Em nome do Filho...
este comigo!

O soldado vendo um só bocado no prato, agarrou-o, gritando:

Em nome do Espirito Santo...
antes que fique em branco!

E deste modo foi ele quem logrou (= "burló") os três espertalhões.